Geral
12.10.2012

Mosca de fruta modificada funciona como modelo para estudo da epilepsia

Pesquisa revela como mutação específica causa crises convulsivas dependentes da temperatura corporal e pode melhorar tratamento

Foto: Brown University
Robert Reenan (a esq.), envolvido no estudo
Robert Reenan (a esq.), envolvido no estudo

Cientistas dos Estados Unidos criaram moscas de fruta geneticamente modificadas que funcionam como modelo da epilepsia e é capaz de revelar o mecanismo pelo qual convulsões dependentes da temperatura corporal acontecem.

Os pesquisadores usaram uma técnica chamada recombinação homóloga, mais precisa e sofisticada do que a engenharia genética transgênica, para injetar nas moscas Drosophila melanogaster uma mutação causadora da doença, que é um análogo direto da mutação que leva a crises epilépticas febris em seres humanos.

Eles monitoraram as convulsões dependentes da temperatura em todo o organismo das moscas inteiros e também em seus cérebros.

Os resultados mostraram que a mutação leva a uma quebra na capacidade de certas células que normalmente inibem a hiperatividade cérebro para regular seu comportamento eletroquímico.

Segundo o coautor Robert Reenan, da Brown University, além de fornecer evidências sobre a neurologia de convulsões febris, a pesquisa consiste na primeira vez em que alguém introduziu uma mutação causadora da doença humana no mesmo gene de moscas.

A equipe utilizou a recombinação homóloga para inserir uma versão mutante do gene para a epilepsia em moscas da fruta, um paralelo direto da mutação no gene humano SCN1A que provoca convulsões febris em pessoas.

Quando os pesquisadores colocaram moscas em tubos e banhou os tubos em 104 graus Fahrenheit, as moscas de fruta mutantes tiveram convulsões depois de 20 segundos. Depois disso, elas permaneceram imóveis durante meia hora antes de se recuperarem. Moscas inalteradas, entretanto, não apresentaram convulsões dependentes da temperatura.

Os pesquisadores também descobriram que a susceptibilidade à apreensão foi dose-dependente. Moscas fêmeas com estirpes mutantes de ambas as cópias do gene para a doença foram mais suscetíveis a ataques. Aquelas com apenas uma cópia do gene mutante eram menos propensas do que aquelas com dois.

A análise individual das moscas mostrou a presença de "falhas" em como os neurônios GABAérgicos assimilam o sódio através de canais na membrana celular. Em circunstâncias normais, os neurônios inibem a hiperatividade do cérebro. Mas a presença do gene mutante causou mau uso do sódio e levou a falhas 'elétricas'.

A equipe acredita que a pesquisa fornece um modelo genético útil da epilepsia em moscas de frutas e vai permitir que investigadores olhem para potenciais tratamentos para a doença. O próximo passo, segundo eles, é usar a prática de "frente genética" para procurar mais mutações que possam combater convulsões febris.

Fonte: Isaude.net