Ciência e Tecnologia
09.10.2012

Exame de sangue lê alterações genéticas como código de barras

O teste pode ser usado juntamente com o teste de PSA para selecionar os pacientes em estágio avançando do câncer de próstata

Novo teste sanguíneo lê alterações genéticas como um código de barras, reconhecendo o câncer de próstata agressivo por seu padrão particular de atividade do gene.

O exame detecta padrões de genes ligados e desligados nas células do sangue reconhecendo com precisão o câncer de próstata em estágio avançado. Os pesquisadores acreditam que o teste possa ser usado juntamente com o PSA para selecionar os pacientes que necessitam de tratamento imediato.

Descrito na The Lancet Oncology desta terça-feira (9), o teste é único porque avalia as alterações no padrão de atividade dos genes em células de sangue desencadeados por um tumor em outras partes corpo.

O responsável pelo estudo, Johann de Bono, do Institute of Cancer Research, "que é possível aprender mais sobre o câncer de próstata por meio dos sinais que ele deixa no sangue, o que permite desenvolver um teste potencialmente mais preciso do que os disponíveis atualmente e mais fácil para os pacientes do que uma biópsia. Nosso teste lê o padrão de atividade genética como um código de barras, pegando sinais de que um paciente é susceptível de a um padrão mais agressivo de câncer. " Os pesquisadores analisaram todos os genes presentes em amostras de sangue de 100 pacientes com câncer de próstata, na Inglaterra e Escócia. Eles incluíram 69 pacientes com câncer avançado e 31 pacientes que se pensava terem a doença em estágio inicial.

Usando modelagem estatística, dividiram os pacientes em quatro grupos que refletem seu padrão de atividade genética do código de barras. Quando eles examinaram todo o progresso dos pacientes após quase dois anos e meio, descobriram que pacientes de um grupo tinham sobrevivido por muito menos tempo do que os pacientes de outros. A modelização identificou nove principais genes ativos que foram compartilhados por todos os pacientes.

Os resultados foram confirmados em outros 70 pacientes norte-americanos com câncer avançado, mostrando que apenas estes nove genes poderiam ser usados para identificar com precisão aqueles que, em última análise, sobreviveram por um tempo menor (9,2 meses em comparação com 21,6 meses para os pacientes sem o padrão destes genes).

De acordo com Martin Gore, do Royal Marsden, "a medicina personalizada é o futuro do tratamento do câncer. Este exame de sangue que lê as alterações genéticas no câncer de próstata fornecendo uma previsão da agressividade de cada caso nos permite desenvolver tratamentos sob medida para atender cada indivíduo."

Fonte: Isaude.net