Ciência e Tecnologia
08.10.2012

Depressão materna afeta o desenvolvimento da linguagem em bebês

"Os resultados reforçam que problemas mentais na gravidez devem ser encarados como uma questão de saúde pública."

Foto: Martin Dee/UBC
A pesquisadora Janet Werker da University of British Columbia
A pesquisadora Janet Werker da University of British Columbia

A depressão materna e uma classe comum de antidepressivos pode alterar um período crucial do desenvolvimento da linguagem em bebês, segundo um novo estudo realizado por pesquisadores da  University of British Columbia (UBC), Harvard University and the Child & Family Research Institute (CFRI) at BC Children's Hospital.

Publicado nesta segunda-feira (8) na revista Proceedings of the National Academy of Science , o estudo mostra que o tratamento da depressão materna, com a reabsorção de serotonina (SRI) pode acelerar a habilidade dos bebês para sintonizar os sons e imagens de sua língua nativa, enquanto a depressão materna não tratada por SRIs pode prolongar o período de ajuste.

"Este estudo é um dos primeiros a mostrar como a depressão materna e seu tratamento podem alterar o tempo de desenvolvimento da linguagem em bebês", diz a professora Janet Werker do Departamento de Psicologia da UBC, autora do estudo. "Neste momento, não sabemos se acelerar ou retardar esses marcos do desenvolvimento podem trazer consequências duradouras na aquisição da linguagem posterior, ou se existem vias alternativas de desenvolvimento. Pretendemos explorar estas e outras questões importantes em estudos futuros."

O estudo acompanhou três grupos de mães: um em tratamento para depressão com SRIs, um com depressão mas que não usava antidepressivos e o último, sem sintomas de depressão. Por medidas de mudanças na frequência cardíaca, do movimento dos olhos para os sons e imagens em vídeo de línguas nativas e não-nativas, os pesquisadores calcularam o desenvolvimento da linguagem de bebês em três intervalos, incluindo seis e 10 meses de idade. Os pesquisadores também estudaram como os batimentos cardíacos de bebês em gestação respondiam a línguas com a idade de 36 semanas.

"Os resultados destacam a importância de fatores ambientais sobre o desenvolvimento infantil e nos colocam em uma posição melhor para apoiar não só o desenvolvimento da linguagem ideal em crianças, mas também o bem-estar materno", diz Werker, que acrescenta que o tratamento da depressão materna é crucial. "Esperamos também explorar mais classes de antidepressivos para determinar se eles têm impactos semelhantes ou diferentes sobre o desenvolvimento da primeira infância".

"Estes resultados reforçam que problemas mentais durante a gravidez devem ser encarados como uma importante questão de saúde pública", diz o coautor Tim Oberlander, professor de pediatria do desenvolvimento da UBC e CFRI. "Enquanto algumas crianças podem estar em risco, outros podem se beneficiar do tratamento da mãe com um antidepressivo durante a gravidez. É realmente importante que as mulheres grávidas discutam todas as opções de tratamento com seus médicos ou parteiras".

Em pesquisa anterior realizada pela própria Janet Werker, descobriu-se que durante os primeiros meses de vida os bebês sintonizam rapidamente a linguagem e sons que ouvem de suas línguas nativas. Após este período fundamental do reconhecimento da linguagem, começam a focar na aquisição de suas línguas nativas e efetivamente ignorar outras línguas.

O presente estudo sugere que este período chave de desenvolvimento que tipicamente termina entre as idades de oito e nove meses pode ser acelerado ou retardado, em alguns casos, por vários meses. Em outro estudo recente, Werker descobriu que esse período de desenvolvimento dura mais tempo para bebês de famílias bilíngues, especialmente para os aspectos da face de reconhecimento de fala.

Fonte: Isaude.net