Ciência e Tecnologia
03.10.2012

Desfibrilador subcutâneo oferece alternativa para regular batimentos cardíacos

Equipamento sem fio não toca o coração e provoca menos risco de complicações do que dispositivo convencional

Foto: University of Ottawa Heart Institute
Dr. Pablo Nery (a esq.) e Dr. David Birnie do University of Ottawa Heart Institute
Dr. Pablo Nery (a esq.) e Dr. David Birnie do University of Ottawa Heart Institute

Médicos do University of Ottawa Heart Institute, no Canadá, utilizaram um novo tipo de desfibrilador para controlar de forma menos invasiva os batimentos cardíacos de um paciente de 18 anos de idade.

O novo o desfibrilador cardioversor implantável subcutâneo (S-ICD) oferece alternativa aos equipamentos convencionais.

Desfibriladores convencionais, conhecidos como desfibriladores transvenosos, são implantados com fios, que corre através das veias até o coração. Quando o desfibrilador identifica qualquer batimento cardíaco perigoso, proporciona um choque através dos fios para retornar o coração ao seu ritmo normal e permitir que ele volte a bombear o sangue de forma constante ao longo do corpo.

No entanto, nem todos os pacientes são apropriados para um desfibrilador convencional. Em alguns com problemas cardíacos congênitos, não há nenhuma maneira de levar os fios até o coração através das veias. Além disso, os fios podem representar um perigo, devido ao risco de coágulos de sangue ou infecção. Os pacientes muitas vezes têm que se submeter a uma cirurgia mais complexa e invasiva para prender os fios na camada externa do músculo do coração, a fim de se beneficiar do uso de um desfibrilador.

Os eletrodos transvenosos dos desfibriladores convencionais também podem causar problemas em longo prazo. Apesar de décadas de melhorias no projeto, ligações podem funcionar mal, quebrar ou parar de funcionar. Isso resulta tanto em choques inapropriados quanto na falta de regulação adequada dos batimentos cardíacos, precisando, algumas vezes, ser removido.

Segundo os pesquisadores, o que torna o novo dispositivo especial é que ele é totalmente subcutâneo. Nenhuma parte realmente encosta no coração. Em vez disso, um eletrodo é implantado sob a pele perto do coração. O desfibrilador está ligado ao eletrodo e monitora o batimento cardíaco em todos os momentos. Se necessário, ele oferece um choque para o músculo cardíaco a fim de restaurar o ritmo normal.

O objetivo do equipamento subcutâneo é, potencialmente, reduzir ou eliminar todos os problemas. "O novo desfibrilador fornece terapia eficaz para os pacientes que são ou não elegíveis para o dispositivo ou estão em alto risco de complicações devido a utilização de um desfibrilador convencional. Esses pacientes podem agora ser capaz de receber a proteção de um desfibrilador subcutâneo sem os riscos associados com as ligações padrão", explica o cardiologista Pablo Nery.

A equipe afirma que esta tecnologia é uma alternativa para pacientes jovens, em parte porque a extração dos fios pode ser evitada no futuro.

Outra vantagem é que ele é mais estético. Um desfibrilador convencional transvenoso se localiza na frente do peito, logo abaixo da clavícula, e é fácil de ver. O S-ICD, em comparação, é implantado do lado, por baixo do braço do paciente, e com uma incisão muito menor do que com o desfibrilador convencional.

Fonte: Isaude.net