Geral
25.09.2012

Ativistas defendem maior acesso aos novos remédios contra Hepatite C

"O medicamento é bom e necessário, mas não temos condições de tratar um número muito grande de pacientes", diz ONG

A decisão do governo de priorizar a utilização dos novos remédios contra a Hepatite C, Boceprevir e Telaprevir, para pacientes com cirrose ou estado avançado de fibrose é criticada por ativistas da área. Eles gostariam que todos os pacientes pudessem acessar o tratamento, já que o remédio aumenta as chances de cura da doença.

Carlos Varando, presidente do Grupo Otimismo de apoio ao portador de hepatite, acredita que a distribuição do medicamento para estes grupos vai gerar uma série de ações judiciais vindas de outros pacientes que também desejam o acesso a ele: " O medicamento é bom e necessário, mas não temos condições de tratar um número muito grande de pacientes e isso cria um problema enorme. Os não contemplados vão agir e estão agindo judicialmente, seja contra o Estado ou contra os planos de saúde. Seria melhor que essas ações não fossem necessárias, mas se é isso que vai garantir o tratamento de outros pacientes, então sou a favor" , disse.

A coordenadora da Associação Brasileira de portadores de Hepatite, Virgínia Alves, concorda. Segundo ela, há uma grande demora para os pacientes receberam a medicação, mesmo os que estão dentro da recomendação e já apresentam cirrose, e isso vem ocasionando as ações judiciais. Na opinião da ativista, a medicação deveria ser universal e não estar restrita a pacientes com um quadro já avançado. " Quanto mais cedo você começar o tratamento, maior a chance de curar e o tratamento é mais rápido" , comentou.

Jeová Pessin Fragoso, coordenador do Grupo Esperança, de Santos, acredita que a prescrição do medicamento "é válida e traz uma esperança muito grande para a gente, mas ainda não há um consenso médico a respeito de seu uso restrito somente aos pacientes cirróticos" , disse. " Por que devemos esperar a doença evoluir para tomarmos esse remédio?" , questiona.

Segundo Jeová, um dos caminhos tomados pela sociedade civil foi um abaixo-assinado, que recolheu assinaturas durante os Congressos de Prevenção em São Paulo, que pedia a diminuição do preço do Boceprevir e do Telaprevir. Com os preços menores, eles acreditam que o tratamento poderia atingir mais pacientes.

" Além disso, também é interessante que o governo invista em pesquisas no assunto, especialmente as que dizem respeito ao uso do medicamento em quem ainda não apresenta cirrose" , finalizou.

Fonte: AGENCIA AIDS