Geral
19.09.2012

Uso de chupeta atrapalha desenvolvimento emocional dos meninos

Acessório impede que bebês experimentem diferentes expressões faciais, o que pode causar efeitos psicológicos mais tarde na vida

Foto: Brad Calkins/Foto Stock
Uso de chupeta pode atrapalhar as medidas de maturidade emocional em meninos
Uso de chupeta pode atrapalhar as medidas de maturidade emocional em meninos

O uso de chupeta na infância pode atrapalhar o desenvolvimento emocional dos meninos, segundo estudo realizado na Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA.

O trabalho sugere que a chupeta impede que os bebês experimentem diferentes tipos de expressões faciais durante a infância e que isso tem consequências psicológicas mais tarde na vida, inclusive nas medidas de maturidade emocional.

Os seres humanos de todas as idades, muitas vezes imitam, inadvertidamente ou não, as expressões e linguagem corporal das pessoas ao seu redor. "Ao refletir o que a outra pessoa está fazendo, você cria uma parte do sentimento. Essa é uma das maneiras de entender o que alguém está sentindo e pode ser uma ferramenta de aprendizagem importante para os bebês", afirma a autora da pesquisa Paula Niedenthal.

Segundo Niedenthal, quando falamos com as crianças, inicialmente, elas não entendem o significado das palavras. Assim, a maneira como nos comunicamos com elas em primeiro lugar é usando o tom de voz e as expressões faciais. "Com uma chupeta na boca, um bebê é menos capaz de se espelhar nas expressões e entender as emoções que elas representam", explica a pesquisadora.

O efeito é semelhante ao observado em estudos de doentes que receberam injeções de Botox para paralisar os músculos faciais e reduzir rugas. Usuários de Botox experimentam uma estreita gama de emoções e muitas vezes têm dificuldade em identificar as emoções por trás das expressões nos rostos das outras pessoas.

"Esse trabalho nos levou a pensar em períodos críticos de desenvolvimento emocional, como a infância. E se a criança sempre teve algo em sua boca que a impediu de imitar e entender a expressão facial de alguém?, questiona Niedenthal.

Os pesquisadores descobriram que meninos entre seis e sete anos de idade, que passaram mais tempo com chupeta na boca na infância eram menos propensos a imitar as expressões emocionais de rostos mostrados em um vídeo.

Em idade universitária, homens que relataram (por suas próprias lembranças ou de seus pais) maior uso de chupeta quando criança obtiveram menores pontuações em testes comuns de tomada de perspectiva, um componente da empatia e se saíram pior em testes que consistiam em tomar decisões com base na avaliação do humor de outras pessoas.

Os testes não encontraram efeitos do uso de chupeta para as meninas. "As meninas se desenvolvem mais cedo, em muitos aspectos e é possível que elas façam progressos suficientes no desenvolvimento emocional antes ou apesar do uso da chupeta. Pode ser que os meninos sejam simplesmente mais vulneráveis que as meninas, e que interromper o uso da mímica facial é prejudicial apenas para eles", observa Niedenthal.

De acordo com os pesquisadores, os resultados são sugestivos e devem ser levados a sério. No entanto, eles ressaltam que mais trabalho precisa ser feito.

Fonte: Isaude.net