Geral
02.09.2012

Probabilidade de ficar doente de cólera depende do grupo sanguíneo

Pessoas com grupo O são mais prováveis de adoecerem, enquanto pacientes com tipo sanguíneo A, B ou AB estão mais protegidos

Foto: Yngve Vogt/University of Oslo
Professora Ute Krengel, junto ao aparelho de raio x usado no trabalho
Professora Ute Krengel, junto ao aparelho de raio x usado no trabalho

A probabilidade de ficar gravemente doente de cólera depende do grupo sanguíneo de uma pessoa, de acordo com pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega.

O estudo revela que pessoas com grupo O são mais prováveis de adoecerem, enquanto pacientes com tipo sanguíneo A, B ou AB estão mais protegidas.

A bactéria da cólera é originária de Bangladesh, mas nos últimos dois séculos se espalhou para grande parte do mundo e estabeleceu uma base firme em muitos países asiáticos e africanos.

A população de Bangladesh é uniformemente distribuída entre os grupos de sangue O, A e B. Na África, a maioria das pessoas tem o grupo sanguíneo O. Quase toda a população indígena na América Latina tem grupo O. Quando a cólera atinge essas áreas, seu combate é especialmente difícil.

Baseados nesses dados, Ute Krengel e seus colegas avaliaram se a probabilidade de se tornar gravemente doente de cólera depende de grupos sanguíneos.

Ao estudar a estrutura molecular da toxina da cólera na bactéria, os cientistas conseguiram quão fortemente a toxina da cólera se liga ao intestino, quanto tempo ela leva para se ligar e o tempo que ela permanece associada às células intestinais.

A toxina da cólera se liga aos receptores de pequeno porte sobre a parede intestinal. Os receptores consistem de palhetas com pequenas moléculas de açúcar em anexo.

Essa toxina é constituída por duas partes. Os investigadores estudaram a parte inferior, que se liga aos receptores. Eles verificaram que a toxina da cólera se liga de forma diferente do que se pensava anteriormente.

De modo a penetrar nas células intestinais, a toxina da cólera primeiro passa através da camada mucosa. "Nossos resultados sugerem que a toxina da cólera demora mais para penetrar a camada de muco em pacientes que possuem anticorpos de grupos sanguíneos. Quatro em cada cinco pessoas tem anticorpos de grupos sanguíneos na mucosa. Aqueles com o grupo sanguíneo O são os menos protegidos e, portanto, ficam mais doentes do que os outros", observa Krengel.

Para a pesquisa, Krengel e seus colegas criaram um modelo biológico de como a toxina da cólera entra nas células intestinais. Eles não usaram bactérias reais da cólera. Em vez disso, utilizam bactérias E. coli, modelo preliminar para estudos biológicos.

A equipe acredita que por meio do estudo da estrutura molecular da toxina da cólera na bactéria é possível encontrar um novo remédio capaz de curar a doença.

Krengel e seus colegas esperam encontrar um novo medicamento que previne a toxina da cólera de se ligar ao intestino, e que assegura que a toxina se torne inofensiva no organismo.

Fonte: Isaude.net