Geral
30.08.2012

Cremerj critica consultoria a distância para atendimento em UPAs do Rio

Conselho afirma que a medida representa risco à saúde da população e pretende substituir profissionais especializados

Foto: Governo do Rio de Janeiro
Fila de espera para atendimento em Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) em Botafogo, Rio de Janeiro
Fila de espera para atendimento em Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) em Botafogo, Rio de Janeiro

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) divulgou nota criticando projeto do governo estadual em que médicos das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) vão ter a ajuda a distância de plantonistas do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no atendimento pediátrico, por meio de teleconferências.

A iniciativa será implantada nas UPAs administradas pelo governo fluminense.

Na nota, o conselho afirma que a medida incorrerá em risco à saúde e pretende substituir profissionais especializados. " A secretaria afirma que há dificuldade em preencher as vagas de pediatria, mas não faltam pediatras, em especial na Região Sudeste. O que faltam são condições adequadas de trabalho" , defende, na nota, a presidenta do Cremerj, Márcia Rosa de Araujo.

A entidade critica ainda a falta de profissionais de outras especialidades na rede pública." Não faltam só pediatras, mas médicos de todas as especialidades. As fiscalizações do Cremerj no último ano apontaram que 74% das unidades públicas estão com as equipes reduzidas."

Em relação às críticas do Cremerj, a Secretaria Estadual de Saúde argumentou, em nota, que o objetivo do projeto é "aprimorar o atendimento" e permitir aos médicos socorristas "uma segunda opinião em casos de maior complexidade."

"Em nenhum dos casos pretende-se substituir a tecnologia pelos médicos. Ao contrário, a secretaria irá treiná-los no intuito de aprenderem a usar, em suas unidades, a ferramenta para ajudar a agilizar cada vez mais o diagnóstico dos pacientes", diz nota, da secretaria.

O governo estadual usará a telemedicina também no atendimento a pacientes com problemas cardíacos e neurológicos, com foco nos acidentes vasculares cerebrais.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL