Geral
22.08.2012

Cientistas revelam como neurônios codificam a pronúncia das vogais

Pesquisa realizada na UCLA pode ajudar a desenvolver maneiras para restaurar a fala em pessoas que sofreram paralisia

Ilustração: Sebastian Kaulitzki
Cientistas estudaram como os neurônios trabalham para codificar a articulação das vogais
Cientistas estudaram como os neurônios trabalham para codificar a articulação das vogais

Cientistas da University of California em Los Angeles, nos EUA, descobriram como as células do cérebro codificam a pronúncia das vogais individuais na fala.

A descoberta pode ajudar a desenvolver maneiras para restaurar a fala em pessoas que sofreram paralisia.

O pesquisador Itzhak Fried e seus colegas seguiram 11 pacientes com epilepsia que tiveram eletrodos implantados em seus cérebros para identificar a origem de suas convulsões. Os pesquisadores registraram a atividade dos neurônios enquanto os pacientes proferiram uma das cinco vogais ou sílabas contendo vogais.

Eles estudaram como os neurônios codificaram a articulação das vogais, tanto em uma única célula quanto coletivamente.

Os cientistas descobriram duas áreas, o giro temporal superior e uma região no lóbulo frontal medial, que abrigam neurônios relacionados à fala e à sintonia das vogais. A codificação desses locais, no entanto, desdobrou de maneira muito diferente.

Os neurônios no giro temporal superior responderam a todas as vogais, embora a diferentes taxas. Em contraste, os neurônios que dispararam exclusivamente por apenas uma ou duas vogais foram localizados na região frontal medial.

"A atividade do neurônio único no lobo frontal medial correspondeu à codificação de vogais específicas. O neurônio disparou apenas quando uma vogal particular foi falada, mas não outras vogais", afirma Fried.

Em nível coletivo, a codificação das vogais pelos neurônios no giro temporal superior reflete a anatomia que torna o discurso possível, especificamente, a posição da língua dentro da boca.

"Uma vez que entendermos o código neuronal subjacente ao discurso, poderemos trabalhar a partir da atividade das células cerebrais para decifrar o discurso. Isso sugere uma possibilidade empolgante para as pessoas que são fisicamente incapazes de falar. No futuro, poderemos ser capazes de construir neuropróteses ou interfaces cérebro-máquina que decodificam os padrões neurais de uma pessoa e permitam que ela se comunique", conclui Fried.

Fonte: Isaude.net