Ciência e Tecnologia
21.08.2012

Material sintético pode restaurar flexibilidade das cordas vocais humanas

Composto feito de gel vibra em torno de 200 vezes por segundo, quase a mesma velocidade de uma mulher durante uma conversa

Foto: Heinz Awards
Robert Langer, pesquisador envolvido no estudo
Robert Langer, pesquisador envolvido no estudo

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology, nos Estados unidos, desenvolveram um material artificial capaz de imitar as cordas vocais humanas.

O material, feito de um gel, chamado polietileno glicol 30, pode vibrar em torno de 200 vezes por segundo, aproximadamente a mesma velocidade que uma mulher durante uma conversa. A pesquisa foi apresentada no Encontro Anual da American Chemical Society.

As cordas vocais sintéticas foram criadas para restaurar a flexibilidade perdida em cordas vocais humanas devido aos efeitos do envelhecimento ou a doenças. A falta de flexibilidade é um fator importante na perda de voz que afeta 18 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, cerca de 90% da perda de voz humana é causada pela falta de flexibilidade.

"O material sintético à base de gel tem propriedades semelhantes ao material encontrado nas cordas vocais humanas e vibra em resposta a mudanças na pressão do ar, assim como acontece na vida real", observa o líder da pesquisa Robert Langer.

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Cientistas criam material artificial capaz de imitar as cordas vocais humanas.

As cordas vocais são duas dobras na "caixa de voz" que vibram, ou seja se unem e se afastam umas das outras muito rapidamente, para produzir jatos de ar que ajudam a formular os sons.

No entanto, quando alguém usa exageradamente a voz, ele desenvolve tecido cicatricial. A mesma coisa acontece quando uma pessoa fica mais velha. O câncer ou procedimentos que inserem tubos na garganta para procedimentos médicos também podem danificar as dobras. O tecido da cicatriz é duro e deixa as pessoas com uma voz rouca e soprosa.

Para uma tentativa de substituir as cordas vocais, os pesquisadores sabiam que o material tinha de ser muito flexível e capaz de vibrar como as cordas vocais humanas.

Depois de tentar vários candidatos, Langer e seus colegas chegaram ao polietileno glicol 30 (PEG30), que já é usado em cremes de cuidados pessoais e em dispositivos médicos aprovados.

Eles descobriram que o gel pode ser agitado a uma taxa de 200 vezes por segundo, o que é quase a mesma velocidade de uma mulher durante uma conversa.

De acordo com os pesquisadores, os médicos poderiam injetar o gel nas cordas vocais de pacientes, que receberiam formulações diferentes, dependendo do quanto eles usam suas vozes.

Testes realizados com animais mostraram que o gel parece seguro. No entanto, ensaios clínicos com humanos estão previstos para terem início em 2013.

A equipe afirma que o trabalho é emocionante, mas que é muito cedo para saber se a ideia pode ser aplicada com sucesso na prática clínica. Segundo os autores, um dos maiores desafios será conseguir fazer com que o tecido artificial se integre "corretamente" com as cordas vocais naturais e trabalhe como uma unidade.

Eles ressaltam que o gel duraria somente por um tempo relativamente curto, de modo que injeções regulares, possivelmente até cinco vezes por ano, seriam necessárias.

Fonte: Isaude.net