Geral
19.08.2012

Ferramenta consegue traçar alterações de humor em exercícios físicos

Escala usada para medir humor de população fisicamente ativa pode ser útil para monitorar aspectos emocionais de atletas

Em testes realizados na Escola Preparatória de Cadetes do Exército de Campinas com 123 voluntários a partir da Escala de Humor Brasileira (BRAMS), foi possível aferir as alterações de humor durante diferentes cargas de treinamento físico. Resultados permitiram traçar o perfil de humor para uma população brasileira fisicamente ativa. " Os testes mostraram ser um instrumento eficiente para monitoramento mais acurado das variações do estado de humor em resposta ao treinamento, visto que fornecem um psicodiagnóstico do estado emocional do atleta. Como estamos tratando de dados subjetivos acerca do humor, é importante validar instrumentos que forneçam uma mensuração mais próxima da realidade do indivíduo" , define a psicológa Dalila Victória Ayala Talmasky. Ela apresentou dissertação de mestrado na Faculdade de Educação Física (FEF), sob orientação do professor Luiz Eduardo Barreto Martins.

A ferramenta é útil para o monitoramento dos aspectos emocionais, os quais são mais pontuais de acordo com os resultados. Dalila Talmasky é psicóloga da seleção paralímpica brasileira de natação e já aplica este mesmo instrumento nos nadadores. Em sua opinião, a principal contribuição deste tipo de investigação está em obter um maior número de informações sobre os sentimentos que são gerados muitas vezes pelos pensamentos e influenciam diretamente no desempenho do atleta. " O importante é entender o quadro, fazer com que o atleta também se conheça melhor e poder intervir de forma específica em alguns pontos que afetam o indivíduo" , explica.

Dalila Talmasky trabalhou também como psicóloga do Laboratório de Bioquímica do Exercício (Labex) do Instituto de Biologia (IB), coordenado pela professora Denise Vaz de Macedo, por vários anos. Foi no Labex que teve origem a sua pesquisa ao utilizar a escala com diversas modalidades para apoio nas intervenções junto aos atletas. No laboratório também foram feitas as análises da enzima alfa-amilase salivar, que segundo vários autores, têm seus valores aumentados sob estresse físico e/ou psíquico.

"Para cada alteração humoral, o psicólogo pode propor diferentes estratégias de intervenções que estimulem o atleta a melhorar a sua performance"

BRAMS

O instrumento BRAMS é composto por 24 itens da escala agrupadas em seis fatores tensão, depressão, raiva, vigor, fatiga e confusão mental e foi possível determinar o estado de humor do atleta em diferentes momentos, como em estado de ansiedade, depressão ou melancolia e raiva. Posteriormente, os resultados são colocados em um gráfico, que permite a leitura do humor da pessoa. É traçada uma linha média no percentil 50, a qual corresponde a média do humor de cada fator humoral de determinado grupo para que sejam comparados a valores padronizados.

No item vigor, por exemplo, se os itens são pontuados acima da média, este fator é positivo, ou seja, em termos emocionais o atleta está bem em termos de energia, disposição ou motivação. Se, por outro lado, os outros fatores humorais negativos não estiverem abaixo da linha média, significa que o atleta está com algumas alterações negativas no humor, podendo este resultado afetar o seu desempenho negativamente. Nesse caso, poderá ser necessária a intervenção psicológica ou a redução da carga de treinamento. " Para cada alteração humoral, o psicólogo pode propor diferentes estratégias de intervenções que estimulem o atleta a melhorar a sua performance" , esclarece.

A escala foi aplicada em uma população de idade de 18 anos, após uma rotina de treinamento físico diário e sistematizado e, num segundo momento, após uma semana de acampamento militar sob forte estresse psicológico e situação extrema de estresse físico. Outro ponto importante do estudo destacado por Dalila foi a criação da folha de perfil de humor para a população de indivíduos fisicamente ativos. " Antes da elaboração desta folha, as comparações de resultados poderiam ser equivocadas e, portanto, poderíamos ter um psicodiagnóstico errado. Isto valida muito nosso estudo" . (R.C.S.)

Fonte: UNICAMP