Geral
30.07.2012

Médicos Sem Fronteiras usa unidades móveis para atender imigrantes na África

Organização coordena clínicas de saúde primária com assistência médica para HIV e TB. Foco são populações que migram sazonalmente

Foto: Becky Palmstrom
Clínica móvel da MSF na região de Musina, próxima à fronteira com o Zimbábue
Clínica móvel da MSF na região de Musina, próxima à fronteira com o Zimbábue

Dados da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) indicam que a taxa de adesão a programas de terapia antirretroviral (ART) é maior se forem adotadas estratégias específicas, como a utilização de unidades móveis, para grupos de difícil acesso ou cuja retenção nos programas é mais complicada, como imigrantes, adolescentes e crianças. A conclusão é resultado da avaliação de projetos da entidade em Moçambique, Zimbábue e África do Sul, e foi apresentada na Conferência Internacional de Aids (Aids 2012).

Na região de Musina, na África do Sul, próxima à fronteira com o Zimbábue, a MSF coordena clínicas móveis de saúde primária, integrando em suas atividades a assistência médica para HIV e TB. Assim, a organização consegue alcançar populações em movimento que migram sazonalmente para trabalhar em 15 fazendas nos arredores de Musina.

"É um desafio oferecer assistência médica para os migrantes nesta região, porque eles têm medo de procurar ajuda e acabar revelando que não têm documentos. Além disso, eles saem regularmente das fazendas para voltar ao Zimbábue. O modelo que nós estamos implementando mostra que é possível oferecer tratamento de HIV para imigrantes, desde que o programa seja adaptado às suas necessidades específicas", afirma o coordenador médico de MSF em Musina, Tambu Matambo.

Após o início dos serviços móveis, o número de pessoas que precisava de ART e que começou a receber o tratamento aumentou de 51% para 81%. O modelo de tratamento também registrou aumento de adesão, uma vez que é parte da abordagem dar aos imigrantes estoques de medicamentos antirretrovirais (ARV) para que sejam tomados em casa, e um documento com todas as informações a respeito do tratamento que pode ser levado para outras clínicas. Após seis meses, taxa de retenção no tratamento era de 93% e aos 12 meses, de 90%. As taxas de supressão viral também foram para, respectivamente, 90% e 92%.

Fonte: Isaude.net