Geral
22.07.2012

Hospital de São Paulo implanta odontologia nas UTIs para reduzir mortalidade

Saúde bucal também pode reduzir tempo de permanência do paciente em até 13 dias, reduzindo custos de internação

A pneumonia nosocomial é a segunda maior causa de infecções dentro de UTIs hospitalares no mundo. No Brasil, ela aumenta a incidência de morte em 25% e gera um acréscimo de, em média, 13 dias na estadia do paciente, aumentando também os custos de internação. Pensando em evitar essa condição, o Hospital Santa Isabel (HSI), em São Paulo, está implantando o protocolo de prevenção de doenças odontológicas na UTI, com corpo clínico de cirurgiões dentistas credenciados, que já presta atendimento a pacientes internados na unidade.

" A segurança do paciente é nosso foco. Nesse sentido, estamos dando mais um passo com a criação do manual de saúde bucal" , explica o diretor médico da unidade Frederico Carbone Filho. O assunto foi inclusive tema da 14ª Jornada Científica do HSI este mês, e segundo o médico, "é tão importante que está em votação no Congresso Nacional um projeto de lei que obriga a presença de um dentista nas UTI hospitalares. Nós resolvemos nos antecipar, já que esse é um tema de saúde pública" , conta.

Além da pneumonia nosocomial (infecção do trato respiratório inferior), as principais doenças associadas à má higiene bucal são a endocardite bacteriana ou infecciosa e a cárie dental. " A prevenção odontológica reduz em até 65% os casos de pneumonia nosocomial" , revela a cirurgiã dentista da USP-SP e palestrante, Sandra Oyama. Ela salienta que os custos dos protocolos preventivos podem chegar a 10% do custo do tratamento da pneumonia diagnosticada, ou seja, além de melhorar as chances de sobrevida do paciente, a prevenção também gera uma economia significativa para o hospital.

O tratamento

A higienização pode ser feita pelas enfermeiras, por meio de escovação dos dentes a cada 12 horas, limpeza da saburra lingual, aspiração da secreção e utilização da clorexidina 0,12 %, um antisséptico bucal que reduz o número de bactérias na boca. " Outro procedimento importante, que inclusive é recomendado pela Anvisa, é manter o paciente na posição de 30 a 45 graus, para evitar que ele broncoaspire a própria saliva que contém inúmeras bactérias" , lembra Sandra.

No caso da endocardite, a avaliação do quadro deve feita por um cardiologista e um cirurgião-dentista. "É importante avaliar a saúde bucal do paciente e o grande risco de desenvolver a endocardite. Existem recomendações da American Heart Association, mas a prevenção é sempre a melhor escolha" , ressalta a cirurgiã dentista.

Já a cárie é muito comum em pacientes oncológicos. " Em algumas pessoas, a radioterapia destrói o esmalte do dente e a dentina exposta provoca o que chamamos de cárie de radiação. A avaliação nesses casos deve ser muito específica e o tratamento também" , explica Sandra.

Fonte: Isaude.net