Saúde Pública
18.07.2012

Países em desenvolvimento investem mais contra Aids do que ajuda internacional

De acordo com relatório da ONU, entre 2006 e 2011, 81 países aumentaram recursos nacionais em mais de 50% para combater doença

Foto: Unaids
Michael Sidibé, diretor executivo do Unaids
Michael Sidibé, diretor executivo do Unaids

O relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), divulgado simultaneamente em várias cidades do mundo, nesta quarta-feira (18), indica que os investimentos nacionais contra a epidemia estão maiores que os internacionais. O documento " Juntos para acabar com a Aids" ressalta que os países em desenvolvimento investiram 8,6 bilhões de dólares para o enfrentamento da Aids, um aumento de 11% em relação a 2010. Entretanto, os investimentos internacionais ficaram estáveis em cerca de 8,2 milhões.

De acordo com o documento, 81 países aumentaram os recursos nacionais em mais de 50%, entre 2006 e 2011.

Os países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), por exemplo, aumentaram seus investimentos contra a doença em mais de 120% entre 2006 e 2011. Os BRICS já financiam, em média, mais de 75% das ações contra a epidemia. Brasil e Rússia usam recursos próprios em 100% das estratégias nacionais.

Na África Sub-saariana, sem incluir a África do Sul, os investimentos aumentaram 97% nos últimos cinco anos. A África do Sul já investiu mais de 80% de sua receita nacional e quadruplicou os investimentos do país entre 2006 e 2011.

Financiamentos da comunidade internacional ficaram praticamente estáveis, entre 2008 e 2011, na casa dos 8,2 bilhões de dólares

Por outro lado, os financiamentos da comunidade internacional ficaram praticamente estáveis, entre 2008 e 2011, na casa dos 8,2 bilhões de dólares. O suporte financeiro dos Estados Unidos representa hoje quase 48% de toda a assitência mundial contra a pandemia.

" Esta é uma era de solidariedade global e mútua responsabilidade" , disse o diretor executivo do Unaids, Michael Sidibé. " Os países mais afetados pela epidemia estão tomando as rédias e mostrando liderança na resposta ao HIV. Entretanto, ainda não é o suficiente para que a assistência internacional fique estável. Ela tem que aumentar se ainda queremos atingir nossas metas de 2015" .

Para ampliar a sua responsabilidade e reforçar a o compromisso de ajuda mútua contra a pandemia, a União Africana lançou, às vésperas da 19ª Conferência Internacional de Aids em Washington, um roteiro internacional contra as epidemias de aids, tuberculose a malária. Este roteiro estabelece formas de financiamento mais diversificada, equilibrada e sustentável contra estas doenças até 2015, e representa uma novo envolvimento do continente contra a pandemia.

"Está claro que agora não é o momento de diminuirmos nossos esforços contra a aids. Pelo contrário, devemos aproveitar os sucessos já conquistados contra esta doença e pensar num futuro sem novas infecções do HIV" , disse o Coordenador das Ações Globais contra a Aids dos Estados Unidos, Eric Goosby. "Nós (EUA) continuaremos fazendo nossa parte no enfrentamento da Aids e investindo de maneira inteligente para que cada dólar seja muito bem usado" , acrescentou.

Enquanto os investimentos domésticos para a aids estão aumentando, ainda existe um grande déficit no apoio global à doença. Até 2015, é estimado que haja uma falha anual de 7 bilhões de dólares. No Encontro de Alto Nível das Nações Unidas realizado em 2011 os países adotaram a Declaração Política para HIV/Aids, onde se comprometeram a aumentar seus investimentos entre 22 e 24 bilhões de dólares até 2015.

Um esforço coletivo de todos os países é necessário para que os investimentos continuem aumentando e esta meta seja alcançada.

Fonte: AGENCIA AIDS