Geral
17.07.2012

Crianças que sofrem abusos dos pais têm maior risco de contrair câncer

A pesquisa atingiu 2.1 mil adultos. Entre os abusos consultados estão os insultos, xingamentos, ameaças e agressões

Foto: Mark Simons/Purdue University
Professor Kenneth Ferraro ( a esq.) e Patricia Morton, presquisaores envolvidos no estudo
Professor Kenneth Ferraro ( a esq.) e Patricia Morton, presquisaores envolvidos no estudo

O abuso frequente pelos pais pode aumentar o risco de uma criança sofrer câncer na idade adulta, segundo pesquisa da Purdue University, nos Estados Unidos. O estudo ainda aponta que os efeitos são especialmente significativos quando as mães abusam das filhas e os pais abusam dos filhos.

Os efeitos são especialmente significativos quando as mães abusam das filhas e os pais abusam dos filhos.
"As pessoas costumam dizer que as crianças são resistentes e vão se recuperar, mas nós descobrimos que existem eventos que podem ter consequências em longo prazo na saúde do adulto. No geral, quanto mais frequente e intenso o abuso, mais elevado o risco de câncer", disse o diretor Purdue's Center on Aging, pesquisador Kenneth Ferraro. "Neste caso, as pessoas que foram frequentemente emocionalmente ou fisicamente abusadas por seus pais eram mais propensas a terem câncer na idade adulta, e a relação foi maior quando os pais abusavam dos filhos e as mães abusavam das filhas. No geral, quanto mais frequente e intenso o abuso, maior o risco de câncer".

Kenneth destaca ainda que gostaria "que o abuso infantil fosse visto como um fator ambiental que pode aumentar a ocorrência de câncer na vida adulta. Mais pesquisas sobre este tema poderiam ajudar a mediar os efeitos ou melhorar as intervenções para ajudar as crianças vítimas de abuso."

"Nós começamos examinando uma variedade de infortúnios da infância, incluindo abusos, e quando estes foram todos combinados, descobrimos que a maioria daqueles que sofreram estresse durante a infância era mais propensa a desenvolver câncer", disse a responsável pelo estudo, socióloga Patrícia Morton. "Depois, descobrimos que quando crianças foram abusadas pelo progenitor do mesmo sexo, o risco de desenvolver câncer aumentou. Outros estudos têm mostrado que se a mãe fuma, a filha é mais propensa a fumar, e a mesma relação é encontrada quando o filho reflete o comportamento do pai. É necessário pesquisar mais, mas outra possibilidade é que os homens podem ser mais propensos a abusar fisicamente dos filhos, e as mães sejam mais propensas a abusar fisicamente das filhas", completa.

As conclusões foram baseadas em duas análises de dados de pesquisa com 2.101 adultos do National Survey of Midlife Development, nos Estados Unidos. Abuso foi um dos muitos infortúnios da infância - incluindo a pobreza, a perda do pai e a situação familiar educativa - que os investigadores examinaram para determinar se havia uma ligação com o câncer na idade adulta. Na primeira análise, eles descobriram que homens que experimentaram estresse cumulativo durante a infância eram mais propensos a ter câncer. O mesmo não acontecia com as mulheres. "Isso sugere que homens e mulheres podem ter diferentes respostas a estresses na infância", disse Patrícia Morton.

Na segunda análise, foi observada cada categoria de infortúnio. Os participantes da pesquisa não foram diretamente questionados se sofreram abusos, mas situações consultadas, como insultos, xingamentos, ameaças e agressões da parte da pais, irmãos ou outros, foram contabilizadas como tal. A conexão ainda podia ser observada quando observados a idade dos adultos, o estilo de vida e a situação econômica, mas os pesquisadores explicaram que gostariam de analisar melhor esses mecanismos.

Segundo Ferraro, "também é provável que o efeito entre o abuso de crianças e câncer esteja sub-representado no estudo, porque as pessoas que sofreram abuso e foram então presas, colocadas em uma instituição mental ou morreram não foram incluídas no levantamento. Estes grupos podem representar pessoas com efeitos mais agudos e mais graves de abuso, mas mesmo que eles sejam omitidos, ainda encontramos uma conexão", disse.

Os pesquisadores agora examinam possíveis ligações entre o abuso de crianças e outros resultados de saúde, incluindo ataques cardíacos e os tipos de câncer.

A pesquisadora Patrícia Morton ainda acrescenta que "a conexão entre os eventos negativos na infância e saúde mental é aceita, e esses achados reforçam que tais eventos também pode ter um efeito duradouro sobre a saúde física de uma pessoa. É chocante o quanto os danos duram, e é um lembrete de que a infância, que é definida pela rápida evolução dos sistemas biológicos, é um período sensível do desenvolvimento", lembra.

Fonte: Isaude.net