Geral
17.07.2012

Hospital do interior de São Paulo faz primeira cirurgia de coluna em 3D

Tecnologia, que só é usada em centros de referência da rede privada e na USP, permite localizar e atuar com precisão no local

Foto: ASCOM/Hospital Estadual Sumaré
Equipamento utilizado na cirurgia permite localizar com precisão local através de imagens 3D
Equipamento utilizado na cirurgia permite localizar com precisão local através de imagens 3D

O Hospital Estadual Sumaré (HES) realizou a primeira cirurgia do Interior do Estado de São Paulo para tratamento de escoliose idiopática em adolescente com o emprego de um equipamento de navegação cirúrgica. A tecnologia, que só é usada em centros de referência da rede privada e na USP, permite localizar e atuar com precisão no local através de imagens 3D da coluna realizadas por tomografia computadorizada. A cirurgia bem sucedida, realizada na última semana, corrigiu uma curvatura de 60 graus para 20 graus na coluna da paciente, uma criança de 13 anos, moradora de Sumaré, passa bem e deverá receber alta esta semana. O procedimento completo durou cinco horas.

Segundo um dos responsáveis pela cirurgia, o ortopedista especialista em coluna, Antonio Alexandre Ferreira, com a tecnologia, a inserção do parafuso de fixação na vértebra fica mais precisa e reduz o tempo cirúrgico, trazendo mais beneficio para o paciente e diminuindo os riscos de complicação. Assim, as complicações do procedimento são minimizadas por testes neurofisiológicos intra-operatórios (MNIO) que ocorrem durante a cirurgia, o que reduz os índices de paraplegia de 1% para 0,1%.

O tratamento

De acordo com Ferreira, a escoliose é o desvio lateral da coluna vertebral, sendo a mais deformante das patologias ortopédicas, sobretudo quando há envolvimento da caixa torácica que deforma as costelas, modifica o comportamento postural e ainda pode comprometer as funções respiratórias nos casos mais graves. Segundo ele, a escoliose idiopática do adolescente é muito mais frequente em meninas do que em meninos (cerca de 6 vezes). O tratamento cirúrgico de escoliose, diz, está indicado nas curvas acima de 40º e evoluiu nos últimos anos, melhorando o índice de correção das curvas deformantes na coluna vertebral devido à evolução dos implantes de fixação e diminuindo as complicações neurológicas com a monitoração neurofisiológica intra-operatória. "A escoliose não possui origem conhecida e os estudos atuais mostram forte relação com herança genética determinada pela presença de vários genes que combinados podem levar dos leves aos graves casos de escoliose", informa Ferreira. No caso da paciente operada, que recebeu 13 parafusos, o especialista afirma que o grau de deformidade era maior que 50% e a cirurgia, neste caso, vai evitar que o problema aumente.

Conforme o ortopedista, o diagnóstico é realizado geralmente na adolescência, quando ocorre o período de maior crescimento e pode ser feito pelo exame clínico e pela radiografia (raio-x). "Muitas vezes, o diagnóstico é feito quando o paciente realiza um raio-x de tórax ou de abdome onde é vista a deformidade", esclarece o ortopedista. Antes, o método utilizado nas cirurgias para verificação de déficit neurológico era o teste de despertar o paciente acordado durante a cirurgia por superficialização da anestesia e se constatava a presença de movimentação dos membros inferiores, para finalização da cirurgia.

"É evidente que esta tecnologia não substitui a presença do cirurgião bem treinado e familiarizado com o tratamento da escoliose e condições de saber o tipo de deformidade e paciente que está operando", ressalta outro integrante da equipe, André Melotti.

Fonte: Isaude.net