Ciência e Tecnologia
16.07.2012

Reposição hormonal melhora funções cerebrais que tendem a diminuir com a idade

Estudo com ratos fêmeas de meia idade mostra que combinação de estrogênio com MPA aumenta número sinapses no córtex pré-frontal

Foto: L. Brian Stauffer/University of Illinois
Janice Juraska (a esq.), líder do estudo e Nioka Chisholm, co-autora da presente pesquisa
Janice Juraska (a esq.), líder do estudo e Nioka Chisholm, co-autora da presente pesquisa

Estudo realizado com ratos fêmeas descobriu que tratamento de longo prazo com estrogênio e progesterona sintética, conhecida como MPA, aumenta níveis de uma proteína marcadora de sinapses no córtex pré-frontal, região do cérebro conhecida a sofrer perdas significativas durante o processo de envelhecimento.

Novas descobertas contradizem resultados de estudo de longo prazo, iniciado em 1991 pela Women's Health Initiative (WHI), que analisou os efeitos da terapia hormonal em uma grande amostragem de mulheres saudáveis na pós-menopausa com idades entre 50 a 79. Entre outros achados, o WHI encontrou evidências de que a exposição prolongada ao estrogênio (sozinho) ou ao estrogênio com MPA resulta em aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) e demência. Já a pesquisa mais recente sugere que terapias de reposição hormonal no início da menopausa, em vez de anos ou décadas seguintes, produz resultados diferentes. Estudo conduzido na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, é o primeiro a avaliar os efeitos de longo prazo do tratamento com estrogênio e MPA para o número de sinapses no córtex pré-frontal em animais idosos.

"O córtex pré-frontal é a área do cérebro humano que perde o maior volume com a idade", diz a líder do estudo Janice Juraska. "Por isso, compreender como qualquer coisa afeta o córtex pré-frontal é importante."

O córtex pré-frontal, logo atrás da testa em humanos, governa o que os pesquisadores chamam de função executiva - planejamento, pensamento estratégico, a memória de trabalho (capacidade de reter informações em mente apenas o suficiente para usá-las), auto-controle e outras funções que tendem a diminuir com a idade.

A maioria dos estudos sobre os efeitos de tratamentos hormonais no cérebro se centra no hipocampo, estrutura importante para a navegação espacial e consolidação da memória. Estas pesquisas tendem a usar animais jovens expostos aos hormônios por períodos muito curtos de tempo (um ou dois dias a algumas semanas no máximo). Os resultados se mostraram contraditórios, com a maioria das pesquisas em animais jovens do sexo feminino indicando um aumento de sinapses do hipocampo e da função do hipocampo após exposição ao estrogênio e MPA.

"Por alguma razão, uma grande quantidade de pesquisadores ainda examinam os efeitos de hormônios em animais jovens", diz a co-autora da presente pesquisa Nioka Chisholm. "E agora há um monte de evidências dizendo que o cérebro envelhecido é diferente, o efeito destes hormônios não vai ser o mesmo", completa.

A equipe da Universidade de Illinois acompanhou cobaias de meia idade expostas ao estrogênio, sem hormônios adicionais, ao estrogênio em combinação com MPA por sete meses, período de tempo que corresponde mais de perto à experiência de mulheres que iniciam terapia hormonal no início da menopausa e continuam o tratamento durante a velhice. Os investigadores removeram os ovários ratos antes do tratamento hormonal para imitar as alterações que ocorrem em seres humanos durante a menopausa.

"Nossa descoberta mais importante é que o estrogênio em combinação com MPA pode resultar num maior número de sinapses no córtex pré-frontal do que (que visto) em animais que não receberam a substituição hormonal", diz Chisholm. "O estrogênio sozinho aumenta marginalmente as sinapses, mas a combinação com o MPA é que realmente resulta em um efeito significativo".

O estudo "Effects of Long-Term Treatment with Estrogen and Medroxyprogesterone Acetate on Synapse Number in the Medial Prefrontal Cortex of Aged Female Rats", está disponível online.

Fonte: Isaude.net