Ciência e Tecnologia
13.07.2012

Trauma durante a infância está ligado a tabagismo entre mulheres

Estudo sugere que tratamentos contra o fumo devem levar em consideração efeitos psicológicos de traumas ocorridos na juventude

Não é novidade que experiências adversas na infância (Adverse childhood experiences - ACEs) podem acompanhar as pessoas por toda vida. Mas agora pesquisadores dos Estados Unidos mostram como estes eventos influenciam padrões de tabagismo entre adultos, sobretudo do sexo feminino. Resultados divulgados na publicação virtual Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy sugerem que tratamentos e estratégias para parar de fumar devem levar em consideração os efeitos psicológicos de traumas ocorridos durante a infância.

ACEs podem variar de abuso emocional, físico e sexual a negligência e afetam uma grande variedade de pessoas. Em um dos maiores estudos sobre ACEs pelo menos 60% dos adultos relataram pelo menos um evento traumático na infância. ACEs são pensados como causa de efeito de longo prazo sobre o desenvolvimento de crianças e podem levar a adoção de comportamentos não saudáveis mais tarde na vida.

Desde que transtornos psiquiátricos - incluindo depressão e ansiedade - foram associados ao aumento do risco de tabagismo, pesquisadores dos EUA investigam os efeitos do estresse psicológico sobre a relação entre ACEs e tabagismo entre adultos. O questionário ACE foi respondido por mais de 7 mil pessoas, cerca de 50% do sexo feminino.

Mesmo depois de ajustar os dados para fatores conhecidos por afetar a propensão de uma pessoa para o fumo - como ter pais fumantes, ter ingerido ou não álcool nos meses anteriores - mulheres fisicamente ou emocionalmente abusadas foram 1,4 vez mais propensas ao fumo. Ter um dos pais na prisão durante a infância mais que dobrou o risco de uma mulher se tornar fumante.

Transtornos psiquiátricos aumentam as chances de que qualquer pessoa (homem ou mulher) fumar. No entanto, "desde que ACEs estão relacionados com sofrimento psicológico tanto para homens e mulheres, nos parecia intuitivo que um indivíduo que experimenta uma experiência adversa na infância seria mais propenso ao fumo. No entanto, em nosso estudo, ACEs só aumentaram o risco do tabagismo entre as mulheres. Diante disso, os homens que sofreram traumas de infância podem ter diferentes mecanismos de enfrentamento."

"Nossos resultados mostram que, entre mulheres, um mecanismo subjacente que liga experiências adversas na infância ao tabagismo na vida adulta é o transtorno psiquiátrico, particularmente o ocasionado por abuso físico, emocional ou por negligência na infância. Estes achados sugerem que as campanhas e estratégias contra tabagismo atuais podem se beneficiar da relação entre traumas ocorridos na infância e subsequentes transtornos psiquiátricos sobre o hábito de fumar entre mulheres", conclui Strine.

Acesse aqui o Abstract do estudo.

Fonte: Isaude.net