Ciência e Tecnologia
09.07.2012

Transplante inédito de laringes sintéticas é realizado na Rússia

Pacientes receberam próteses de laringe e de parte da traqueia, nos moldes dos órgãos originais, carregadas com células-tronco

Foto: Harvard Bioscience
Imagem mostra o biorreator laringotraqueal. Próteses foram customizadas de acordo com cada paciente.
Imagem mostra o biorreator laringotraqueal. Próteses foram customizadas de acordo com cada paciente.

Duas cirurgias realizadas na Rússia podem representar o primeiro passo para que o ser humano seja capaz de receber laringes, órgãos responsáveis pela voz, 100% sintéticas. Em 19 e 21 de junho, dois pacientes foram submetidos aos primeiros implantes laringotraqueais de sucesso no mundo.

Os procedimentos foram realizados em ex-comatosos, que sofriam de estenose traqueal. Uma mulher, 34, e um homem, 28, foram escolhidos por uma junta formada por seis médicos de diversos países. O tratamento custou ao governo russo $ 4,8 milhões, por meio de financiamento para colaboração entre cientistas locais e outros pesquisadores internacionais.

Os transplantes exigiram mais de um semestre de preparação, e fizeram parte de um ensaio clínico no Hospital Regional de Krasnodar, no sudoeste da Rússia. O objetivo é avaliar os mecanismos e a engenharia de tecidos, além da terapia celular para a regeneração das vias aéreas e do pulmão, criando formas de prevenção e tratamento para uma ampla gama de doenças.

O Ministério da Saúde do país aprovou um protocolo clínico para um número ilimitado de pacientes, todos envolvidos com procedimentos de traquéia.

O transplante

Os órgãos sintéticos foram cultivados em biorreatores, do tamanho de uma caixa de sapatos, desenhados especialmente para cada paciente. As próteses foram esterilizadas e moldadas conforme o órgão original a ser transplantado.

Cada paciente recebeu o implante sintético, com cerca de cinco centímetros de comprimento, constituído por uma secção da traqueia, no topo da qual foi colocada uma versão do arco cricóide e uma placa oca, em forma de gola, formando a base da laringe.

As próteses foram carregadas com células-tronco, retiradas através de biópsia da medula óssea dos transplantados, recurso que permitiu a não rejeição dos novos órgãos, sem necessidade do uso de drogas imunossupressoras.

Fonte: UNIVERSIDADE DE HARVARD