Ciência e Tecnologia
08.07.2012

Queimaduras solares afetam as células da pele por meio de danos ao RNA

Estudo abre caminho para desenvolver abordagens capazes de bloquear o processo inflamatório causado pela exposição aos raios UV

As queimaduras solares - a avermelhada e dolorosa resposta imunológica de proteção contra a radiação ultravioleta (UV) - afetam as células da pele por meio de danos ao RNA. Este mecanismo biológico foi descrito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Resultados do estudo foram publicados online na Nature Medicine.

Segundo os cientistas, os resultados abrem caminho para desenvolver abordagens capazes de bloquear o processo inflamatório, e têm implicações para uma variedade de condições médicas e tratamentos.

"Por exemplo, doenças como psoríase são tratados pela luz UV, mas estes tratamentos têm como efeito colateral o aumento do risco de câncer de pele", diz o principal líder do estudo Richard L. Gallo. "Nossa descoberta sugere uma maneira de obter os efeitos benéficos da terapia UV sem de fato expor nossos pacientes à luz UV prejudicial. Além disso, algumas pessoas têm sensibilidade excessiva à luz ultravioleta, os pacientes com lúpus, por exemplo. Estamos explorando se podemos ajudá-los através do bloqueio deste caminho que nós descobrimos."

Utilizando células da pele humana e um modelo de rato, os pesquisadores descobriram que a radiação UVB modifica elementos de micro-RNAs não-codificantes. As células irradiadas liberaram este RNA alterado, reunindo células vizinhas para iniciar um processo que resulta em uma resposta inflamatória destinada a remover as células danificadas pelo sol. Vemos e sentimos o processo como queimaduras solares.

"A resposta inflamatória é importante para iniciar o processo de cura após a morte celular", explica Gallo. "Também acreditamos que o processo inflamatório pode limpar as células com danos genéticos antes de se tornarem câncer. É claro que este processo é imperfeito e com maior exposição UV, há mais chance das células se tornarem cancerosas."

Gallo observa que ainda não se sabe como o gênero, a pigmentação da pele e a genética individual pode afetar o mecanismo de queimadura. "A genética está intimamente ligada à capacidade de se defender contra os danos UV e desenvolvimento de câncer de pele", diz. "Nós sabemos que em nossas cobaias genes específicos irão se alterar a medidas que elas forem expostas à queimaduras solares. Os seres humanos têm genes semelhantes, mas não se sabe se as pessoas têm mutações nesses genes que afetam a sua resposta ao sol."

Fonte: Isaude.net