Geral
08.07.2012

Identificado tipo específico de anticorpo que causa complicações na gravidez

'Anticoagulante lúpico' altera função dos vasos sanguíneos. Descoberta permite diagnosticar mulheres que precisam de tratamento

Foto: Sheknows
Grávidas com anticoagulante lúpico no organismo são mais propensas a complicações na gestação.
Grávidas com anticoagulante lúpico no organismo são mais propensas a complicações na gestação.

Pesquisadores do Hospital for Special Surgery, nos Estados Unidos, descobriram que mulheres que têm um tipo específico de anticorpo que interfere com a função dos vasos sanguíneos estão em maior risco de problemas na gravidez.

A pesquisa, descrita na revista Arthritis & Rheumatism, sugere ainda que outros anticorpos da mesma família dos antifosfolípides (APLs) e que haviam sido ligados a complicações durante a gestação não colocam a maioria das mulheres em risco.

Os pesquisadores afirmam que muitos médicos podem tratar desnecessariamente de algumas mulheres grávidas com APLs com anticoagulantes, como injeções de heparina, que podem causar sangramento e perda óssea.

"Este trabalho identifica as pessoas que estão em risco de perda do bebê e, mais importante, aquelas que não estão em risco e que, portanto, não precisam ser tratadas", afirma o autor da pesquisa Michael Lockshin.

Os anticorpos antifosfolípides interferem com fosfolipídeos, um tipo de gordura encontrado em todas as células vivas e membranas celulares, incluindo células sanguíneas e do revestimento dos vasos sanguíneos.

Pacientes com esses anticorpos estão em risco de coágulos sanguíneos, derrame e complicações na gravidez, mas alguns pacientes com estes anticorpos podem ser completamente saudáveis. "Fosfolipídios são altamente presentes na placenta, e, como resultados, os anticorpos antifosfolípides se concentram no mesmo local. Quando os anticorpos são depositados nos tecidos de uma pessoa, inicia-se inflamação levando a danos nos órgãos. E este é um caminho para complicações na gravidez", explica a autora sênior Jane Salmon.

As mulheres que têm perda de gravidez recorrente são comumente testadas para a presença de APLs e até 15% são positivas. A maioria das pacientes com teste positivo é tratada com anticoagulantes.

Para o trabalho, os pesquisadores avaliaram 144 pacientes que tinham APLs, das quais 28 tiveram resultados adversos da gravidez. Um grupo de controle, 159 mulheres grávidas saudáveis, foi testado paralelamente ao grupo com o anticorpo.

Eles examinaram a associação entre complicações na gravidez e a presença de três APLs diferentes: anticoagulante lúpico (LAC), anticorpo anticardiolipina (aCL) e anticorpo para glicoproteína ß2 I.

Resultados adversos na gravidez foram definidos como morte fetal inexplicável após 12 semanas, morte neonatal antes da alta ligada a complicações do parto, parto prematuro antes de 34 semanas devido à hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia ou insuficiência placentária, recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.

Os pesquisadores descobriram que a LAC foi o mais forte preditor de um resultado adverso da gravidez, 39% dos pacientes com LAC teve complicações em comparação com 3% que não tinham LAC. Apenas 8% das mulheres com aCL, e sem LAC, sofreram resultado adverso. Outros APLs não aumentaram o risco de complicações.

"O anticoagulante lúpico é o mais importante preditor de risco e altos níveis de anticorpos anticardiolipina por si só não fornecem risco substancial. Antes deste estudo, muitos médicos consideravam aCL como um potente preditor de risco", observa Salmon.

Segundo os pesquisadores, a identificação de biomarcadores que identificam pacientes de alto risco nos permitirá selecionar um subconjunto de pacientes que precisam de tratamento.

Tratamentos com anticoagulantes são usados atualmente para muitas mulheres com aPLs, mas a identificação de quem deve ser tratado não é clara e este tratamento é muitas vezes ineficaz. "Embora muitos pacientes com aPLs sejam tratados com heparina, os resultados da gravidez ainda são decepcionantes. Precisamos de melhores terapias. Este estudo vai nos permitir identificar subgrupos de pacientes com maior risco", conclui Salmon.

Fonte: Isaude.net