Ciência e Tecnologia
30.06.2012

Estudo com abelhas pode ajudar a controlar distúrbios metabólicos em humanos

Inseto tem potencial para auxiliar no entendimento de como a percepção gustativa e síndromes metabólicas estão conectadas

Foto: Christofer Bang/ASU
Por meio de experiências com a genética do mel de abelha, os investigadores identificaram conexões entre a sensibilidade ao açúcar, a fisiologia do diabético e o metabolismo do carboidrato
Por meio de experiências com a genética do mel de abelha, os investigadores identificaram conexões entre a sensibilidade ao açúcar, a fisiologia do diabético e o metabolismo do carboidrato

Estudo com abelhas ajuda a entender conexões entre paladar e distúrbios metabólicos em seres humanos. Descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos.

Por meio de experiências com a genética do mel de abelha, os investigadores identificaram conexões entre a sensibilidade ao açúcar, a fisiologia do diabetes e o metabolismo do carboidrato. Segundo a equipe, as abelhas e os seres humanos podem parcialmente compartilhar essas conexões.

No estudo publicado na revista PLoS Genetics, os pesquisadores Amdam Gro e Wang Ying relatam de que forma eles conseguiram inativar com sucesso dois genes nas abelhas responsáveis por controlar comportamentos relacionados a alimentação. Ao fazer isso, a equipe de pesquisa descobriu uma possível ligação molecular entre a percepção do gosto doce e estado de energia interno.

"A sensibilidade de uma abelha ao açúcar revela sua atitude em relação à comida, que idade tem quando começa procurar por néctar e pólen e que tipos de alimento prefere coletar", diz Wang, principal autor do projeto. "Ao suprimir esses dois genes mestres, descobrimos que as abelhas podem se tornar mais sensíveis ao sabor doce. Mas, curiosamente, essas abelhas também tiveram níveis sanguíneos elevados de açúcar, e baixos níveis de insulina, bem como pessoas que têm diabetes tipo 1."

No laboratório de Amdam na ASU, os cientistas suprimiram dois genes, o vitelogenina, que é semelhante a um gene humano, chamado apolipoproteína B, e o ultraspiracle que tem algumas funções em comum com o hormônio da tiróide humana. Os pesquisadores usaram este método para compreender como o regulador mestre funciona.

"Agora, se pode usar as abelhas para entender como a percepção gustativa e síndromes metabólicas estão conectadas, é uma ferramenta muito útil", diz Amdam. "A maior parte do que sabemos sobre déficits na percepção humana vem de estudo com pessoas muito doentes ou que tiveram um trauma cerebral. Sabemos muito pouco sobre pessoas nesta área."

Os pesquisadores estão buscando entender como exatamente a percepção do sabor doce das abelhas foi reforçado pela experiência. Para os pesquisadores, o tecido metabolicamente mais ativo das abelhas, chamado de gordura corporal, pode ser a chave. Esta gordura é semelhante ao tecido adiposo do fígado e abdominal em humanos, que a auxilia no armazenamento de nutrientes e na criação de energia.

Amdam explica que a percepção do gosto envolve um mecanismo de sobrevivência tanto para abelhas, quanto para seres humanos. Por exemplo, alimentos amargos podem ser venenosos e o sabor doce pode indicar alimentos ricos em calorias e energia. Para todos os animais, a percepção do gosto deve comunicar adequadamente com um estado de energia interno para controlar a ingestão de alimentos e manter as funções normais de vida. Uma percepção de gosto pobre pode contribuir para comportamentos alimentares não saudáveis e doenças metabólicas, como diabetes e obesidade.

"A partir deste estudo, percebemos que podemos tirar vantagem das abelhas na compreensão de como comportamentos relacionados à alimentação interagem com o metabolismo interno, como também de encontrar meios de manipular estes comportamentos relacionados à alimentação, a fim de controlar os distúrbios metabólicos", conclui Amdam.

Fonte: Isaude.net