Saúde Pública
29.06.2012

Pressão alta atinge 25% das crianças e adolescentes de São Paulo

Sódio é considerado vilão e especialistas recomendam cortar refrigerante, macarrão instantâneo, lanches e industrializados

Uma pesquisa feita com 284 crianças e jovens da Casa do Adolescente de Pinheiros, em São Paulo, apontou que 25% deles apresentavam quadro de hipertensão arterial combinada com alto consumo de sódio na dieta, apesar da pouca idade.

Foram coletados dados relativos à idade, peso, estatura, IMC (Índice de Massa Corporal), pressão arterial e relatos da alimentação das 24 horas anteriores ao preenchimento. A pesquisa foi feita com os prontuários do público com idade entre 10 e 17 anos.

Os dados mostraram ainda que outros 11%, apesar de fazerem também alto consumo de sódio, não desenvolveram hipertensão ainda. Os outros 64% estão com a pressão arterial e o consumo de sódio dentro dos padrões considerados adequados.

Segundo o médico Arlindo Frederico Junior, do Centro de Saúde de Pinheiros, o índice constatado pode ser considerado preocupante porque a doença tende a se agravar com o tempo e trazer complicações no início da fase adulta como o AVC (Acidente Vascular Cerebral), infarto, diabetes, doenças renais e até morte súbita.

O refrigerante é um dos grandes vilões na alimentação de crianças e adolescentes, já que tem concentração expressiva de sódio. O consumo de lanches e refeições semiprontas (fast food) e de salgadinhos também colaboram com os índices negativos.

"Nossa cultura cotidiana também está condicionada a usar muito mais sal do que o necessário na dieta. O excesso de sal está presente na vida do jovem desde as refeições em casa até com o que é consumido nas cantinas das escolas", diz Frederico Júnior.

A obesidade e o sobrepeso também podem ter contribuído para a hipertensão dos adolescentes. O problema, também agravado pela má alimentação, foi constatado em 23% dos prontuários pesquisados.

Segundo o médico, se por um lado a idade pode dificultar as correções pela fase da vida tradicionalmente crítica e questionadora, por outro, o metabolismo de crianças e adolescentes é mais flexível do que o de um adulto, o que favorece as adaptações.

"É o melhor momento para iniciar mudanças e evitar que a doença se agrave com o tempo", afirma o médico.

Fonte: Isaude.net