Ciência e Tecnologia
26.06.2012

Drogas amplamente usadas contra diabetes estão ligadas a maior risco de morte

Estudo mostra que drogas sulfoniluréias estão associadas a risco mais de 50% maior de morte em comparação com metforminas

Análise realizada por pesquisadores dos Estados Unidos relaciona três medicamentos amplamente utilizados contra o diabetes a risco aumentado de morte. Resultados foram apresentados na 94ª edição da Endocrine Society Annual Meeting, em Houston .

As drogas, glipizida, gliburida, e glimepirida, são conhecidos como sulfoniluréias, que ajudam a diminuir os níveis de açúcar no sangue em pacientes com diabetes tipo 2, estimulando o pâncreas a produzir insulina. No passado, estes medicamentos foram considerados comparáveis um ao outro em termos de eficácia e segurança. Recentemente, no entanto, pesquisa mostrou que algumas sulfoniluréias são mais seguras do que outras. Estas descobertas serviram de base para o presente estudo, que comparou as três drogas citadas a outro tipo de medicamento redutor da taxa de açúcar no sangue conhecido como metformina. Os quatro medicamentos estão disponíveis a baixo custo em versões genéricas.

"Nós demonstramos claramente que a metformina está associada a uma redução substancial no risco de mortalidade, e, assim, deve ser a opção a ser escolhida em relação a uma sulfonilureia", diz o autor do estudo Kevin M. Pantalone, Summa Western Reserve Hospital, em Ohio. O endocrinologista conduziu o estudo em parceria com pesquisadores da Cleveland Clinic.

Os investigadores descobriram que os três sulfoniluréias estudados estavam associados com um risco mais de 50% maior de morte em comparação com a metformina. Além disso, entre os pacientes diabéticos com doença cardíaca, somente a glimepirida não aumentou o risco de morte em comparação com a metformina. Em contraste, glipizida foi associada a 41% e a glibenclamida a 38% de risco aumentado de morte.

"Uma vez que muitos pacientes com diabetes tipo 2 também têm doença arterial coronariana, nossos resultados têm potencial para impactar o atendimento de um grande número de pacientes", diz Pantalone. "Para estes pacientes, sabemos agora que a glimepirida parece ser mais segura do que outras sulfonilureias comumente prescritas - glipizida e glibenclamida."

Para o presente estudo retrospectivo, que utilizou o registro do sistema de saúde da Cleveland Clinic, os pesquisadores identificaram 23,915 pacientes com diabetes tipo 2 que já haviam recebido tratamento com um dos quatro medicamentos. No geral, a idade média da população estudada foi de 62 anos, sendo mateda do sexo masculino e metade do sexo feminino. Entre o subgrupo com doença cardíaca, a idade média foi de 68 anos, sendo 69 % do sexo masculino. Ambos os grupos foram compostos por pacientes sobretudo caucasianos. O tempo médio de acompanhamento foi de pouco mais de dois anos.

Para o líder do estudo, a pesquisa serve como um lembrete de que eventos adversos podem ocorrer com qualquer medicamento. "Todas as drogas têm riscos. É importante conversar com os médicos sobre quais medicamentos podem ser opções mais seguras", conclui Pantalone.

Fonte: Isaude.net