Geral
25.06.2012

Restaurar "fábrica" de proteína no organismo impede propagação do HIV

Drogas que atuam sobre os ribossomos e impedem replicação de proteínas virais podem ser usadas também no tratamento do câncer

Foto: MU
Peter Cornish, líder do estudo
Peter Cornish, líder do estudo

Cientistas da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que drogas capazes de atuar sobre a "fábrica" de proteínas do organismo, o ribossomo, podem impedir a propagação de infecções virais como o HIV.

Dentro do corpo, o ribossomo é responsável por criar proteínas que são responsáveis por muitas funções biológicas. Quando as bactérias ou vírus, tal como o HIV, invadem o corpo, eles perturbam as funções do ribossomo, eventualmente, criando estragos em algumas funções biológicas.

Agora, pesquisadores descobriram que impedir as perturbações nos ribossomos pode levar a novos tratamentos para a Aids e outras doenças, como o câncer.

"O ribossomo se movimenta ao longo de uma cadeia de moléculas de RNA mensageiro em um determinado padrão, em geral, lendo três moléculas de uma só vez, pois ele reúne informações do RNA que determinam quais proteínas ele deve criar. Às vezes, quando certos vírus entram no organismo, este movimento é interrompido e, ao invés de ler as três moléculas de RNA de cada vez, ele lê apenas uma molécula. Assim, o ribossomo passa receber informações diferentes que o leva a criar proteínas necessárias para a replicação e propagação viral", explica o líder da pesquisa Peter Cornish.

Cornish e seus colegas determinaram como conseguir fazer com que o ribossomo leia novamente três moléculas de cada vez.

Atualmente, ele tem duas soluções possíveis para este problema. A primeira solução é impedir que a mudança aconteça. Por exemplo, se uma droga puder ser administrada para colocar o ribossomo novamente na leitura certa, as proteínas necessárias para a replicação viral não seriam produzidos.

O outro método é paralisar a produção de proteínas pelos ribossomos. Por exemplo, em uma célula de E. coli, mais de 15 mil ribossomos podem estar presentes. Se os ribossomos na célula de E. coli ficarem incapazes de produzir proteínas adicionais, as bactérias não seriam capazes de se replicar. O corpo acabaria se livrando do invasor estrangeiro com segurança.

"Nossas defesas naturais do corpo estão constantemente trabalhando para nos manter saudáveis. Nós só adoecemos quando os vírus ou bactérias são capazes de se reproduzir de forma suficiente para vencer as defesas. Se pudermos determinar a forma de impedi-los de se replicar, as defesas do corpo podem agir e livrar o organismo dos invasores, naturalmente", observa Cornish.

Segundo os pesquisadores, a descoberta também poderia ser aplicada para o câncer, eventualmente. O câncer sobrevive porque suas células se replicam a uma taxa muito mais rápida do que outras áreas do corpo. Como as células cancerosas crescem mais rápido, elas precisam de mais proteínas. Se uma droga pudesse parar a produção de proteínas, o câncer já não teria proteínas suficientes para continuar replicando.

Cornish acredita que como o ribossomo é uma molécula grande, pode ser possível criar uma droga que iria ajudar o ribossomo caso alguma mudança ocorra. No entanto, ele ressalta que os cientistas ainda precisam compreender a biologia fundamental do ribossomo e a comunicação entre as moléculas antes de iniciar o desenvolvimento de drogas.

Fonte: Isaude.net