Profissão Saúde
20.06.2012

Médicos e servidores da saúde da Santa Casa de Belém param atividades

Mobilização da categoria teve o apoio dos profissionais do hospital do pronto socorro municipal, em greve há nove dias

Foto: SINDMEPA
Médicos de Belém e servidores da saúde do Estado e do município durante manifestação para a melhoria das condições de trabalho e salários.
Médicos de Belém e servidores da saúde do Estado e do município durante manifestação para a melhoria das condições de trabalho e salários.

Médicos de Belém (PA) e servidores da saúde do estado organizaram um protesto, nesta terça-feira (19), em frente a Santa Casa de Misericórdia do Pará. Os profissionais paralisaram as atividades desde às 7h da manhã exigindo o cumprimento de acordos firmados com a instituição. A mobilização uniu médicos e servidores de outras áreas da Santa Casa e teve o apoio dos servidores do Hospital do Pronto Socorro Municipal, em greve há nove dias.

Segundo os profissionais, a falta de isonomia salarial e diálogo com a instituição é a maior queixa dos médicos, que querem também melhores condições de trabalho.

"Hoje, estamos fazendo apenas um alerta para chamar a atenção da população sobre possíveis problemas que poderão ocorrer na Santa casa', disse o presidente da Associação dos Funcionários da Santa Casa, Flávio Roberto. Ele ressaltou que, indiretamente a sociedade é punida com a paralisação, mas é necessário fazer o alerta para evitar problemas maiores na instituição no futuro.

O diretor do Sindicato Médico do Pará (Sindmepa), Wilson Machado, disse que é preciso cobrar das autoridades mais condições de trabalho e melhor remuneração para o profissional médico. 'Os médicos começam hoje a trazer para a sociedade os problemas da categoria, pois a uma saúde de qualidade é direito de todos', declarou.

Durante a mobilização, um caixão foi guiado pelos manifestantes pelas ruas da capital em torno do complexo dos hospitais gritando palavras de ordem, exigindo um posicionamento do prefeito de Belém sobre os problemas na saúde.

Greve na Secretaria Municipal de Saúde

Nesta quarta-feira (20), os servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) também entram em greve por melhores condições de trabalho no município. Comandos de greve serão instalados nos postos mais movimentados da cidade e nos dois hospitais de urgência e emergência administrados pela Prefeitura de Belém - o Mário Pinotti, da 14 de março e o Hospital do Pronto Socorro do Guamá. A paralisação será por tempo indeterminado.

A decisão pela greve foi tirada em assembleia geral realizada na última quarta-feira (13), no Sindmepa, quando os médicos decidiram parar atividades também por melhores condições de trabalho nos Prontos-Socorros do Umarizal e Guamá e Unidades Municipais de Saúde (UMS) de Belém. O diretor do Sindmepa, Wilson Machado, informou que a categoria está em estado de greve desde o início de maio.

Para presidente da Santa Casa, paralisação é ilegal

Para a presidente da Santa Casa, Eunice Begot, a paralisação dos médicos é ilegal, já que foi comunicada apenas na tarde da última segunda-feira (18). Ainda de acordo com ela o sindicato que representa os profissionais da unidade deveriam informar a instituição com 72 horas de antecedência, como determina a lei que dispõe sobre o exercício do direito de greve em caso de serviços considerados essenciais, condição em que se enquadram os profissionais da Santa Casa. " Esta paralisação é um movimento ilegal. Agora, mais do que nunca, a Santa Casa não pode ficar sem a infraestrutura necessária para o atendimento da população, tendo em vista a paralisação da urgência e emergência no Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14 de Março). A Santa Casa está suprindo esta necessidade, principalmente na área pediátrica" .

Segundo a gestora, o Ministério Público Estadual foi acionado para garantir o atendimento à população. " Por enquanto apenas as cirurgias estão prejudicadas, mas não podemos deixar que outros serviços sejam paralisados" , disse a presidente, que afirmou ainda que propôs duas reuniões com o Sindicato antes da manifestação, porém sem êxito.

Fonte: Isaude.net