Ciência e Tecnologia
21.05.2012

Terapia genética aumenta longevidade e saúde de ratos velhos

Transferência de telômeros para diferentes células no organismo melhorou saúde, forma física e longevidade das cobaias

Terapia genética permite que ratos velhos vivam por mais tempo e com saúde. É o que mostra estudo conduzido por investigadores do Centro Nacional de Investigação Oncológica (CNIO), na Espanha, e publicado na EMBO Molecular Medicine.

Com apenas um tratamento para transferir telômeros para diferentes células no organismo, os roedores mostraram melhorias significativas na saúde, forma física e longevidade. A telômeros é uma enzima que permite ajudar a manter a integridade física da ponta dos cromossomas.

A terapia genética é normalmente vista como uma forma de entregar genes em células para corrigir defeitos genéticos ou doenças. Contudo, "se consideramos que o envelhecimento é, pelo menos em parte, a consequência de um problema de função dos genes, este tipo de terapia é também uma estratégia válida para atrasar o envelhecimento ou aumentar o tempo de vida" , diz uma das autoras do estudo Maria Blasco. " Os nossos resultados mostram que a terapia genética com telômeros não é só uma intervenção anti-envelhecimento viável mas também tem efeitos notavelmente benéficos à saúde já que não aumenta a incidência de câncer" , completa.

Os telômeros são uma espécie de capa protetora para sequências de nucleotídeos repetidos no DNA, na ponta dos cromossomas, que se vão gastando gradualmente a cada vez que uma célula se divide. E esta espécie de corrosão progressiva irá eventualmente fazer com que a célula pare de se dividir e morra um dia.

De acordo com informações divulgadas no site Ciência Hoje, a equipe usou um vetor de vírus adeno-associado para estimular a atividade da telomerase nas células de ratos adultos - o que permite restaurar as pontas dos cromossomas com DNA. " Além destes ratos terem uma vida mais longa, têm ossos mais fortes, melhores funções metabólicas, coordenação motora e equilíbrio, assim como um desempenho exemplar em testes de reconhecimento de objetos" , diz o co-autor do estudo Bruno Bernardes de Jesùs.

Os ratos usados nas experiências viveram durante aproximadamente 150 semanas. Um dos animais com um ano de idade tratado com a terapia genética viveu em média 24% mais do que o normal; o tempo médio de vida dos ratos com dois anos aumentou em 13%. Usando os roedores mais velhos, os cientistas foram capazes de tirar proveito dos efeitos de rejuvenescimento da enzima sem aumentar o risco de câncer.

Fonte: Isaude.net