Ciência e Tecnologia
09.05.2012

Pouco contato com a natureza contribui para aumento da prevalência de alergias

Resultados indicam que a principal explicação para o aumento das alergias e doenças similares é a chamada "hipótese da higiene"

Foto: RSPB/UK
Cientistas afirmam que algumas bactérias, apontadas em outros estudos como benéficas para a saúde humana, são encontradas em maior abundância em ambientes rurais
Cientistas afirmam que algumas bactérias, apontadas em outros estudos como benéficas para a saúde humana, são encontradas em maior abundância em ambientes rurais

Pesquisadores da Finlândia sugerem que a falta de contato com a natureza pode estar contribuindo para o aumento da prevalência de asma, alergias e outras doenças inflamatórias crônicas entre pessoas que vivem em centros urbanos.

O estudo foi conduzido na Universidade de Helsinque e coordenado pelo pesquisador Ilkka Hanski. As conclusões foram divulgadas na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Resultados indicam que a principal explicação para o aumento das alergias e doenças similares é a chamada " hipótese da higiene" , que relaciona a menor exposição de crianças a micróbios ao enfraquecimento do sistema imune.

De acordo com informações divulgadas pela BBC, indícios mais recentes indicam que os micróbios comensais, que habitam a pele, as vias aéreas e os intestinos, protegem contra doenças inflamatórias. No entanto, pouco se sabe sobre os determinantes ambientais do microbioma humano.

O estudo

Os pesquisadores finlandeses estavam interessados em saber se o contato humano com a natureza e a biodiversidade influenciavam a composição das bactérias da pele e a sensibilidade alergênica. Eles então monitoraram 118 adolescentes que vivem no leste da Finlândia.

Dados encontrados mostram que pessoas que vivem em fazendas ou nas proximidades de florestas possuem maior diversidade bacteriana na pele e menor sensibilidade a alérgenos do que indivíduos que vivem em áreas urbanas ou nas proximidades de lagos e do mar.

Além disso, indivíduos sensíveis aos alérgenos apresentaram menor diversidade de uma classe de bactéria na pele - gamaproteobactérias - do que os indivíduos não-alérgicos do estudo.

A presença de um membro específico da classe das gamaproteobactérias, a acinetobactéria, foi associada com a expressão do marcador anti-inflamatório IL-10 no sangue dos indivíduos saudáveis do estudo.

De acordo com os cientistas, isto sugere que a presença de gammaproteobactérias na microbiota da pele pode aumentar a tolerância imunológica.

Fonte: Isaude.net