Geral
02.05.2012

Exame genético prevê risco de câncer de mama anos antes do surgimento da doença

Teste que avalia alterações epigenéticas em um gene específico vai permitir aos médicos monitorar e prevenir o câncer

Um teste genético pode ajudar a prever o câncer de mama anos antes de a doença ser diagnosticada, de acordo com uma pesquisa realizada no Reino Unido.

O exame analisa como os genes são alterados por fatores externos, como álcool e hormônios, um processo conhecido como epigenética.

O pesquisador James Flanagan e seus colegas do Imperial College London descobriram a primeira evidência forte de que alterações moleculares ou ' epigenéticas' em um gene podem estar associadas com o risco de câncer de mama.

A pesquisa, que publicada na revista Cancer Research, envolveu 640 mulheres com câncer de mama e 741 controles que se inscreveram em três estudos anteriores, o primeira com início em 1992. Os pesquisadores analisaram amostras de sangue que as mulheres doaram, em média, três anos antes de serem diagnosticadas com câncer de mama para descobrir se a alteração de um único gene por um processo chamado de metilação pode prever se elas têm um maior risco da doença.

Flanagan descobriu que as mulheres com maior nível de metilação em uma área de um gene chamado ATM tinham duas vezes mais chances de ter câncer de mama em comparação com mulheres com níveis mais baixos de alteração.

Este resultado foi particularmente evidente em amostras de sangue de mulheres com idade inferior a 60 anos.

Segundo os pesquisadores, como este é o primeiro estudo utilizando sangue doado em média, três anos antes do diagnóstico, ele mostra que os genes não foram alterados por causa da atividade do câncer no corpo ou por meio de tratamentos para a doença, o que tem sido um problema com estudos anteriores que recolheram sangue após o diagnóstico.

Estes resultados fornecem forte evidência de que olhar para este tipo de alteração epigenética (metilação) de genes individuais pode levar a um teste de sangue para ajudar a avaliar o risco de câncer de mama.

"Quando utilizado em combinação com as ferramentas de avaliação de risco, tais como testes genéticos e perfis do fator de risco, este simples exame de sangue pode identificar mulheres em maior risco, ajudando os médicos a monitorar e um dia talvez até mesmo prevenir o câncer de mama", afirmam os autores.

Os resultados agora precisam de rigorosos testes em muitos indivíduos e muitos mais genes que contribuem para o perfil de uma pessoa de risco.

"Sabemos que a variação genética contribui para o risco de uma pessoa ter determinada doença. Com esta nova pesquisa também podemos afirmar que a variação epigenética, ou diferenças na maneira como os genes são modificados, também tem um papel", ressalta Flanagan.

A equipe espera que nos próximos anos seja possível descobrir outros genes que afetam o risco de uma mulher apresentar câncer de mama. "O desafio agora é como incorporar toda esta nova informação aos modelos de computador que são usados atualmente para prever riscos individuais", concluem.

Fonte: Isaude.net