Ciência e Tecnologia
29.04.2012

Dispositivo de baixo custo é capaz de mapear disseminação de doenças no mundo

Leitor de testes rápidos de diagnóstico permite transmitir resultados para um servidor global que processa e armazena os dados

Foto: UCLA
Leitor de TRD, que se prende a um telefone celular, pesa aproximadamente 65 gramas e inclui uma lente de baixo custo, três matrizes de LED e duas pilhas AAA
Leitor de TRD, que se prende a um telefone celular, pesa aproximadamente 65 gramas e inclui uma lente de baixo custo, três matrizes de LED e duas pilhas AAA

Na luta contra ameaças emergentes de saúde pública, o diagnóstico precoce de doenças infecciosas é crucial. Em áreas carentes e remotas do globo onde ferramentas médicas convencionais - como microscópios e citómetros - não estão disponíveis, os chamados testes rápidos de diagnóstico, ou TRDs, auxiliam no rastreio de doenças de forma rápida e simples.

TRDs são geralmente pequenas tiras em que amostras de sangue ou fluido são colocados. Alterações específicas na cor da tira, que geralmente ocorrem em minutos, indicam a presença de infecção. Diferentes testes podem ser utilizados para detectar várias doenças, incluindo HIV, malária, tuberculose e sífilis. No entanto, atualmente os TRDs convencionais são lidos manualmente, o que abre espaço para erros nos diagnósticos.

Para resolver a questão, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolveram um TRD compacto e de baixo custo que funciona em conjunto com celulares.

"O que criamos é um leitor digital 'universal' para todos os TRDs", diz o professor da UCLA de engenharia elétrica e bioengenharia Aydogan Ozcan.

O leitor de TRD, que se prende a um telefone celular, pesa aproximadamente 65 gramas e inclui uma lente de baixo custo, três matrizes de LED e duas pilhas AAA. A plataforma tem a capacidade de ler quase todo tipo de TRD. Uma tira de TRD é inserida no leitor, e com a ajuda da unidade de saída da câmera do celular e um aplicativo específico de smartphone, a tira é convertida em uma imagem digital.

A plataforma então rapidamente realiza a leitura do TRD digitalizado para determinar, em primeiro lugar, se o teste é válido e, em seguida, se o resultado é positivo ou negativo, eliminando o potencial de erros que podem ocorrer em uma leitura manual. E devido ao fato de as mudanças de cor em um TRD não durarem muitas horas em campo, a capacidade de armazenamento da imagem com a nova abordagem fornece um benefício adicional.

Após esta etapa, a plataforma TRD transmite os resultados dos testes para um servidor global, que processa e armazena os dados e, além disso - utilizando o Google Maps - o dispositivo é capaz de criar mapas e traçar a disseminação de várias doenças - tanto geograficamente, quanto temporalmente - em todo o mundo.

Fonte: UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA