Saúde Pública
26.04.2012

Amamentação prolongada combinada com terapia reduz transmissão do HIV a bebês

Desmame precoce, antes dos seis meses, oferece pouco ou nenhum valor protetor contra a transmissão do vírus da AIDS

Foto: UNC Health Care System
Charles van der Horst (com bebê no colo), autor sênior da pesquisa, na clínica Kawale, Malawi
Charles van der Horst (com bebê no colo), autor sênior da pesquisa, na clínica Kawale, Malawi

Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que a amamentação prolongada em conjunto com a terapia antirretroviral reduz a transmissão do vírus HIV das mães para os bebês.

A pesquisa mostra que o desmame precoce, antes dos seis meses, oferece pouco ou nenhum valor protetor contra a transmissão do vírus da AIDS e também não é seguro para a sobrevivência infantil.

Para o trabalho, os pesquisadores avaliaram mais de 2.300 mães infectadas pelo HIV que amamentavam e seus bebês recém-nascidos entre abril de 2004 e janeiro de 2010.

Resultados iniciais mostraram uma redução na transmissão do HIV para os bebês que estavam se amamentando e recebendo uma dose única diária da medicação antirretroviral nevirapina durante 28 semanas. Baseada nesses dados, a Organização Mundial de Saúde recomendou em 2010 que as drogas antirretrovirais fossem dadas tanto a mães infectadas pelo HIV quanto os bebês durante a amamentação.

Agora, Denise J. Jamieson e seus colegas da University of North Carolina compararam os resultados da amamentação em longo prazo por 48 semanas com os efeitos do desmame e do fim do tratamento antirretroviral da mãe ou do bebê 28 semanas após o nascimento.

Jamieson e seus colegas descobriram que o risco geral de transmissão do HIV foi significativamente maior na 48ª semana (7%) no grupo controle de crianças que estavam apenas recebendo aleitamento em comparação com o grupo materno que recebeu tratamento antirretroviral (4%) e os bebês também tratados com o medicamento (4%).

Segundo o pesquisador Charles van der Horst, cerca de um terço dos recém-nascidos são infectados pelo HIV após a maioria das mães relatarem o desmame 28 semanas após o parto.

"Nosso acompanhamento de 48 semanas das mulheres no estudo mostrou que tanto o tratamento materno quanto o infantil com o medicamento antirretroviral reduz eficazmente a transmissão de HIV pós-natal e que esse efeito protetor persiste até após a interrupção do aleitamento materno prolongado", afirma Jamieson.

O relatório também apontou que doenças infantis como diarreia, malária e tuberculose, problemas de crescimento e mortes aumentaram significativamente após o desmame precoce.

"O aleitamento materno é essencial para os bebês. Não deve haver o desmame precoce e medicamentos anti-HIV dados à mãe ou ao bebê devem ser mantidos durante todo o período de amamentação", concluem os pesquisadores.

Fonte: Isaude.net