Geral
12.04.2012

Cerca de 360 mil brasileiros vivem em famílias com alto risco para infarto

Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta profissionais de saúde para necessidade de identificar estes grupos

Estima-se que cerca de 360 mil brasileiros, em determinados grupos familiares, correm risco de ter infarto devido a altas taxas de colesterol. Eles têm hipercolesterolemia familiar. Como a imensa maioria não sabe disso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) já começa a chamar a atenção dos médicos para essa situação e está programando uma campanha voltada para o público leigo, no segundo semestre.

" O primeiro passo é alertar os médicos" , afirma o presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, Hermes Xavier. Ele acrescenta que, a partir de agosto, será iniciada uma campanha para esclarecer o público e, simultaneamente, será publicada uma Diretriz da Sociedade de Cardiologia, indicando aos médicos quando suspeitar, como diagnosticar e tratar a hipercolesterolemia familiar.

O cardiologista explica que muitos profissionais ainda imaginam que condições genéticas atuando sobre o colesterol são raras, mas estudos recentes mostram que uma a cada 500 pessoas é vítima desse problema.

" O médico deve desconfiar, por exemplo, quando atende a um caso de infarto precoce, alguém com menos de 40 anos" , diz ele, " ou então quando um paciente conta que parentes próximos tiveram problemas cardíacos e o exame mostra índices elevados de colesterol, na faixa de 300, por exemplo" .

Nesses casos a recomendação é que se faça a dosagem do colesterol em toda a família. Quando há o fator genético, o exame mostra que entre 10 parentes, cerca da metade vai apresentar o problema, que não é decorrente da alimentação.

" Nessas pessoas, o colesterol em excesso é produzido pelo fígado e mesmo uma dieta rigorosa reduz no máximo 10% do colesterol" . Para tira-las da faixa de risco, é necessário usar medicação, principalmente estatinas, que administradas corretamente reduzem o nível do colesterol, diminuem o risco cardiovascular e os pacientes passam a ter uma expectativa de vida condizente com a do restante da população.

Workshop

O trabalho com os médicos começa no sábado (14) quando o Departamento de Aterosclerose realiza um workshop, em São Paulo. Como o controle da hipercolesterolemia familiar se enquadra como medida de prevenção, o evento está aberto a todos os profissionais de saúde e não apenas aos cardiologistas. O workshop terá a participação de especialistas de várias áreas, como Frederick Raal, da África do Sul, que falará do trabalho desenvolvido no país; Alexandre Pereira, que é estudioso da base genética da doença; e Maria Cristina Izar, cujo tema será o tratamento da hipercolesterolemia familiar e a experiência brasileira.

Fonte: Isaude.net