Geral
09.04.2012

Mães obesas são mais propensas a terem filhos com transtorno autista

Excesso de peso na gravidez, associado ao diabetes, ainda duplica risco de outros transtornos de desenvolvimento

Crianças que nascem de mães obesas estão em maior risco de desenvolver autismo ou outros atrasos de desenvolvimento do que filhos de mulheres mais magras. É o que sugere um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Os resultados mostram que mulheres com excesso de peso na gravidez são 67% mais propensas a terem filhos com autismo e têm duas vezes mais risco de um filho com outro transtorno de desenvolvimento.

De acordo com os pesquisadores, o estudo, que estava à procura de efeitos sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças derivados de uma variedade de "condições metabólicas" das mães, incluindo pressão arterial alta ou diabetes, encontrou a ligação mais forte entre obesidade materna e transtornos relacionados ao autismo nos filhos até os dias de hoje.

A líder da pesquisa, Paula Krakowiak e seus colegas analisaram mais de mil crianças que tinham entre dois e cinco anos de idade, nascidas na Califórnia. Dessas crianças, 517 tinham transtorno do espectro do autismo e 172 tiveram atrasos de desenvolvimento.

Entre as crianças do estudo com um transtorno do espectro do autismo, 48 nasceram de mães com diabetes tipo 2 ou diabetes gestacional, 111 de mães obesas e 148 de mães com algum tipo de condição metabólica, como pressão arterial elevada.

Para as crianças com atraso no desenvolvimento, 20 nasceram de mães com diabetes tipo 2 ou diabetes gestacional, 41 de mães obesas e 60 de mães com qualquer tipo de condição metabólica.

O estudo também descobriu que as crianças autistas nascidas de mães diabéticas eram mais deficientes, ou seja, tiveram maiores déficits na compreensão da linguagem e produção e comunicação de adaptação do que crianças com autismo nascidas de mães saudáveis.

"Mais de um terço das mulheres americanas em idade fértil são obesas, e cerca de um décimo tem diabetes gestacional ou diabetes tipo 2 durante a gravidez. Nossa descoberta de que essas condições maternas podem estar ligadas a problemas de desenvolvimento cerebral em crianças levanta preocupações e, portanto, pode ter implicações sérias para a saúde pública", afirma Krakowiak.

De acordo com os pesquisadores, embora o estudo não possa provar que uma condição leva a outra, ele sugere que até mesmo a possibilidade é preocupante, tendo em conta as taxas de obesidade em ascensão nos EUA.

Fonte: Isaude.net