Ciência e Tecnologia
06.04.2012

Descoberta de nova célula imune pode revolucionar a criação de vacinas

Novidade pode diminuir a quantidade de vacinas necessária de cem a mil vezes, com menos efeitos colaterais

A descoberta de como uma célula imune vital reconhece as células mortas e danificadas pode modernizar a tecnologia de criação de vacinas "enganando" as células para que desencadeem resposta imune. A novidade pode levar a uma nova geração de vacinas mais específicas e eficazes, com menos efeitos colaterais.

Os cientistas do Walter e Eliza Hall Institute identificaram, pela primeira vez, como uma proteína encontrada na superfície das células do sistema imunológico chamadas células dendríticas reconhece danos e traumas perigosos que poderiam significar infecção.

As células dendríticas são essenciais para ativar o alarme sobre a presença de invasores estranhos ao corpo, como vírus, bactérias e parasitas, assim como de células tumorais e de outras células mortas ou danificadas. Também conhecidas como células apresentadoras de antígenos, elas digerem e apresentam as moléculas das células danificadas para as outras células do sistema imunológico que reconhecem os invasores estranhos e lançam uma resposta imune.

A pesquisa envolveu uma equipe de imunologistas, biólogos e químicos de proteínas estruturais. A pesquisa foi liderada por Mireille Lahoud (anteriormente da divisão de Imunologia), Jian Guo-Dr Zhang ( da divisão de Câncer e Hematologia), Peter Czabotar (da divisão de Biologia Estrutural) e o professor Ken Shortman (da divisão de Imunologia).

De acordo com Lahoud o estudo, publicado na revista Immunity, demonstrou que o sistema imune tem evoluído de uma forma muito inteligente na detecção das células danificadas e mortas para ajudar a promover uma resposta imunológica."Irina Caminschi e eu já identificamos uma proteína chamada Clec9A (lecitina tipo C família de domínio 9A) que fica na superfície de tipos especializados de células dendríticas e responde às células danificadas e às que estão morrendo. Neste estudo, descobrimos que a Clec9A reconhece e se liga às fibras de actina, proteínas de células internas que são encontradas em todas as células do corpo. A actina só é exposta quando a membrana da célula é danificada ou destruída, por isso é uma excelente maneira de encontrar células que poderiam abrigar infecções potencialmente perigosas e expô-las ao sistema imunológico".

A pesquisadora afirma que a descoberta pode desenvolver ou aumentar a eficácia das vacinas para doenças que atualmente não têm boas opções de prevenção, como a malária ou o HIV. "Há também a possibilidade de que o sistema possa ser utilizado para desenvolver vacinas terapêuticas para o tratamento de doenças, como algumas formas de câncer, bem como para evitá-las", completa.

Para Shortman a exploração da Clec9A poderia ser usada para gerar uma classe nova e mais moderna de vacinas que são mais eficazes e têm menos efeitos colaterais. "A proteína Clec9A é um dos melhores alvos atualmente conhecidos para melhorar as respostas imunológicas. Ao criar vacinas que se ligam à Clec9A, podemos enganar as células dendríticas para pensarem que encontraram uma célula danificada e ajudar a lançar uma resposta imune contra o agente infeccioso de nossa escolha".

Segundo ele, atacar a Clec9A pode diminuir a quantidade de vacina necessária de 100 a 1000 vezes. "A tecnologia tradicional da vacina para a geração de imunidade, como o uso de vírus inteiros inativados ou de parasitas para o reconhecimento imunológico, requer grandes quantidades de vacina na esperança de que ela vá encontrar as células do sistema imunológico corretas, e incorpora outras substâncias (adjuvantes) que são necessárias para sinalizar para o sistema imunológico que está acontecendo algo estranho. Estamos propondo um novo tipo de vacina que sabemos que se dirigirá diretamente à célula correta para ajudar a estimular uma resposta imune, e que não cause os mesmos efeitos colaterais porque é mais específica".

Fonte: Isaude.net