Geral
10.03.2012

Pesquisa aborda impacto da notícia para família de crianças com fibrose cística

Maneira como profissionais transmitem informação do diagnóstico interfere na forma como a doença é enfrentada

A fibrose cística ou mucoviscidose é uma doença que requer tratamento rigoroso e contínuo, o que exige mudanças no cotidiano e nos planos para o futuro dos pacientes e de seus familiares. Para sensibilizar os profissionais sobre a comunicação com familiares e pacientes, a médica Selene Afonso, do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) desenvolveu um estudo de mestrado especialmente voltado para esta questão.

Por meio das narrativas dos entrevistados, a pesquisadora chegou à conclusão de que, para os familiares, a maneira como a informação é transmitida interfere na forma como enfrentam a doença. " As notícias podem ser percebidas de diferentes formas de acordo com a clareza com que são passadas para a família, que envolve a preparação do ouvinte, a consideração do contexto em que vivem as pessoas e as consequências que nelas provocam" , ressalta.

O estudo teve como objetivo compreender o que são consideradas notícias difíceis pelos familiares e os sentidos que são atribuídos a elas. A pesquisa ocorreu entre os meses de maio e junho de 2010 com a participação de nove mães e um pai de crianças entre dois e 12 anos de idade, diagnosticadas há pelo menos dois anos com fibrose cística e que tinham seus filhos em tratamento no ambulatório de Pneumologia do IFF.

Os entrevistados falaram livremente sobre o tema central da pesquisa. " As narrativas foram feitas, em geral, num tom emocionado e emocionante. Algumas vezes foram interrompidas por lágrimas e promessas de não mais chorarem, como se os entrevistados evocassem uma força para não esmorecer, para continuar não só a narrativa, mas a vida - e, nela, a luta contra a doença, o enredo que os motivava" , destaca a médica.

Gestos simples como o de sentar-se com o familiar para transmitir as informações e o próprio tom de voz, auxiliam a reduzir o impacto da notícia, demonstrando aos pais preocupação e empenho por parte dos profissionais de saúde. É importante que o profissional leve em consideração as consequências que uma notícia pode ter e seus desdobramentos no cotidiano, que muitas vezes ultrapassam os muros do hospital.

Com relação à formação do profissional de saúde, Selene considera importante serem incluídas cadeiras das áreas de humanidades e habilidades comunicacionais nas escolas de graduação e/ou capacitação ao longo da carreira, auxiliando no desenvolvimento de uma relação profissional-paciente menos sofrida para ambas as partes e sensibilizando os profissionais para os aspectos do processo saúde-doença. " Cuidar é muito mais que tratar: é caminhar junto, é interessar-se por e trabalhar com o outro" , conclui Selene.

Fonte: Isaude.net