Geral
01.02.2012

Mel demonstra eficácia no tratamento e prevenção de infecções e feridas

Alimento destrói biofilmes formados pela S. pyogenes e impede que bactérias se vinculem aos componentes do tecido da ferida

O mel de Manuka pode ajudar a eliminar infecções de feridas crônicas e até mesmo impedir que elas se desenvolvam. É o que aponta estudo publicado na Microbiology. Os resultados fornecem evidências adicionais para o uso clínico do mel de Manuka para tratar infecções bacterianas em face da crescente resistência aos antibióticos.

A Streptococcus pyogenes é uma bactéria normal da pele que é frequentemente associada com feridas crônicas (que não se cicatrizam). As bactérias que infectam as feridas podem se agregar, formando 'biofilmes' que formam uma barreira às drogas e que promovem a infecção crônica. Pesquisadores da Cardiff Metropolitan University, no Reino Unido, mostraram que o mel de Manuka pode não só destruir biofilmes completamente formados pela S. pyogenes in vitro, mas também de impedir que as bactérias vinculem-se inicialmente aos componentes do tecido da ferida.

O mel vem sendo reconhecido por suas propriedades antimicrobianas há muito tempo. Remédios tradicionais contendo mel foram usados no tratamento tópico de feridas por diversas civilizações antigas. O mel de manuka é derivado do néctar coletado pelas abelhas que ficam forrageando a árvore manuka encontrada na Nova Zelândia e em partes da Austrália . Ele está incluído entre os produtos licenciados modernos para o cuidado de feridas em todo o mundo. Foi relatado que o mel de Manuka inibe mais de 80 espécies de bactérias, mas as propriedades antimicrobianas do mel ainda não foram totalmente exploradas pela medicina moderna pois seus mecanismos de ação não são completamente compreendidos.

As feridas que estão infectadas com S. pyogenes geralmente não respondem ao tratamento. Isto deve-se principalmente ao desenvolvimento de biofilmes que podem ser difíceis para os antibióticos penetrarem - além dos problemas de resistência aos antibióticos. Os resultados do estudo mostraram que concentrações muito pequenas do mel impediram o início do desenvolvimento do biofilme e que o tratamento de biofilmes estabelecidos cultivados em placas de Petri com mel por 2 horas matou até 85% das bactérias em seu interior.

A equipe de pesquisadores está trabalhando no sentido de fornecer explicações moleculares para a ação antibacteriana do mel. O mais recente estudo revela que o mel pode atrapalhar a interação entre S. pyogenes e a proteína fibronectina humana, que aparece na superfície das células danificadas. "As moléculas na superfície das bactérias prendem-se à fibronectina humana, ancorando a bactéria na célula. Isto permite que a infecção prossiga e desenvolva biofilmes. Nós descobrimos que o mel reduziu a expressão dessas proteínas de superfície bacterianas, inibindo a ligação à fibronectina humana, portanto, tornando a formação de biofilme menos provável. Este é um mecanismo viável pelo qual o mel de Manuka minimiza o início de infecções de feridas agudas e também o estabelecimento de infecções crônicas", explicou Sarah Maddocks, que liderou o estudo.

Trabalhos em curso no laboratório de Maddocks 'estão investigando outras bactérias associadas às feridas, incluindo a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus meticilina-resistente (MRSA). O mel de Manuka também demonstrou ser eficaz em matar estas bactérias. "Há uma necessidade urgente de encontrar formas inovadoras e eficazes de controlar as infecções de feridas que não sejam susceptíveis de contribuir para o aumento da resistência antimicrobiana. Nenhuma corrência de bactérias resistentes ao mel foi relatada até agora, nem parece provável. Aplicar agentes antibacterianos diretamente à pele para eliminar bactérias das feridas é mais barato do que os antibióticos sistêmicos e pode complementar muito bem a antibioticoterapia no futuro. Isto é significativo pois as feridas crônicas somam até 4% das despesas de saúde no mundo desenvolvido", disse Maddocks.

Fonte: Isaude.net