Ciência e Tecnologia
29.01.2012

Música rap fornece energia a sensor médico implantado no corpo

Dispositivo usado para tratar aneurisma e incontinência é ativado por ritmos com frequencias de 200 a 500 hertz

Foto: Birck Nanotechnology Center/Purdue University
Dispositivo vibratório com sensor de pressão chamado cantilever é ativado, por exemplo, quando há um componente grave forte na música
Dispositivo vibratório com sensor de pressão chamado cantilever é ativado, por exemplo, quando há um componente grave forte na música

Pesquisadores da Purdue University, nos Estados Unidos, descobriram que as ondas acústicas da música, particularmente do rap, são capazes de carregar um dispositivo projetado para ser implantado no corpo humano.

Os resultados mostram que o sensor de pressão, capaz de ajudar a monitorar pessoas com aneurismas ou incontinência devido à paralisia, é ativado por músicas em um intervalo de frequências de 200 a 500 hertz.

"A música atinge a frequência correta apenas em determinados momentos, por exemplo, quando há um componente grave forte. A energia acústica da música pode passar através do tecido do corpo, fazendo com que o dispositivo vibre e acumule energia", explica o pesquisador Babak Ziaie.

Quando a frequência está fora da faixa adequada, o dispositivo para de vibrar, enviando automaticamente a carga elétrica para o sensor, que faz uma leitura de pressão e transmite dados como sinais de rádio. Como a frequência está continuamente mudando de acordo com o ritmo de uma composição musical, o sensor é induzido a intervalos repetidamente alternativos de armazenar carga e transmissão de dados.

Para ativar o sensor os pesquisadores precisavam apenas de um som puro, mas como isso seria desconfortável para os ouvidos dos pacientes, eles decidiram que seria novo e esteticamente mais agradável usar a música.

Eles, então, realizaram experiências com quatro tipos de música: rap, blues, jazz e rock.

Os resultados mostraram que o rap funciona melhor porque contém vários sons de baixa frequência, que levam o dispositivo a armazenar mais carga.

O sensor é capaz de monitorar a pressão na bexiga e em um vaso sanguíneo danificado por um aneurisma. Tal tecnologia poderia ser usada em um sistema de tratamento da incontinência em pessoas com paralisia verificando a pressão da bexiga e estimulando a medula espinhal a fechar o esfíncter que controla o fluxo de urina da bexiga.

Mais imediatamente, o dispositivo poderia ser usado para diagnosticar a incontinência. O método convencional de diagnóstico insere uma sonda com um cateter no paciente durante todo o período de internação.

Com a nova tecnologia, um dispositivo sem fio implantável poderia ser inserido e deixado no local, permitindo que o paciente permaneça em casa enquanto a pressão é monitorada.

Fonte: Isaude.net