Ciência e Tecnologia
17.01.2012

Exercícios de realidade virtual melhoram cognição de adultos mais velhos

Pessoas que usam "exergames" tiveram maior proteção contra o deficit cognitivo do que aquelas que praticam exercícios tradicionais

Foto: Union College
Demonstração dop cybercycle para os participantes do estudo
Demonstração dop cybercycle para os participantes do estudo

Exercícios de realidade virtual que combinam atividade física com ambientes simulados por computador e videogames interativos, podem oferecer benefício cognitivo para adultos mais velhos do que o exercício tradicional sozinho, segundo um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine.

Os resultados mostram que idosos que usaram os chamados "exergames" duas a três vezes por semana durante três meses apresentaram maior benefício cognitivo e maior proteção contra o comprometimento cognitivo leve do que aqueles que praticaram uma dose semelhante de exercícios tradicionais.

A pesquisa mostra que o exercício pode prevenir ou retardar a demência e melhorar o funcionamento cognitivo no envelhecimento normal. No entanto, apenas 14% dos adultos com idades entre 65 e 74 anos de idade, e apenas 7% das pessoas com mais de 75anos relatam exercícios regular.

Segundo os pesquisadores, "exergames" têm o potencial de aumentar o exercício, deslocando a atenção dos aspectos aversivos para motivar características como a concorrência e cenários tridimensionais, levando a uma maior frequência e intensidade, e melhores resultados de saúde.

Para o estudo, a equipe inscreveu 101 voluntários na faixa etária 58 a 99 anos, com acesso a uma bicicleta ergométrica. Alguns participantes experimentaram passeios 3D e correram contra um avatar e outros utilizaram apenas uma bicicleta ergométrica comum. 63 adultos completaram o estudo, em média com três passeios por semana.

Avaliação cognitiva para avaliar funções executivas como planejamento, trabalho da memória, atenção e resolução de problemas foi realizada no momento da inscrição, um mês mais tarde e 3 meses depois. Plasma sanguíneo foi testado para medir se uma mudança no fator de crescimento neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) indicou neuroplasticidade, um mecanismo de mudança que pode vincular o exercício à cognição.

Os participantes que realizaram passeios 3D tiveram melhor função executiva do que aqueles que andaram nas bicicletas tradicionais e experimentaram uma redução de 23% na progressão do comprometimento cognitivo leve.

"Navegar em uma paisagem 3D e competir com outros exige foco adicional, maior atenção dividida e tomada de decisão reforçada. Essas atividades dependem em parte da função executiva, que foi significativamente afetada", explica o investigador principal, Cay Anderson-Hanley, do Union College, nos Estados Unidos.

O estudo também constatou um aumento significativamente de BDNF entre os participantes que tiveram contato com "exergames", sugerindo que exercícios físicos e mentais interativos e combinados podem levar a benefícios cognitivos por meio de biomarcadores associados a efeitos neurotróficos.

"A implicação de nosso estudo é que os adultos mais velhos que escolhem "exergames" ao invés de atividades físicas tradicionais podem obter benefício cognitivo adicional e, talvez, prevenir o declínio", conclui Anderson-Hanley.

Fonte: Isaude.net