Ciência e Tecnologia
10.01.2012

Pílula à base de probiótico é capaz de prevenir infecção alimentar grave

Proteína adicionada a probiótico impede que a bactéria Listeria atravesse as células intestinais e chegue a corrente sanguínea

Foto: Tom Campbell/Purdue University
Arun Bhunia, professor de Ciência dos Alimentos na Purdue University
Arun Bhunia, professor de Ciência dos Alimentos na Purdue University

Probióticos modificados, bactérias benéficas conhecidas por seu papel na saúde digestiva, podem reduzir o risco de infecção por Listeria em pessoas com sistema imunológico comprometido, de acordo com pesquisadores da Purdue University, nos Estados Unidos.

Descoberta tem potencial para levar ao desenvolvimento de uma pílula ou uma bebida probiótica capaz de minimizar o risco de infecção alimentar causada pela bactéria.

Os resultados mostram que a mesma proteína da Listeria que permite que as bactérias passem através das células intestinais e cheguem à corrente sanguínea pode ajudar a bloquear os mesmos caminhos quando adicionada a um probiótico.

Trabalhos anteriores mostraram que a Listeria estimula as células intestinais a expressar a proteína de choque térmico 60 em suas superfícies. Isso permite que a Listeria se ligue às células intestinais usando uma proteína de adesão e passe por elas, agindo como uma espécie de porta de entrada para a corrente sanguínea.

Uma vez na corrente sanguínea, mesmo pequenas doses de Listeria podem causar febre, dores musculares, náuseas e diarreia, bem como dores de cabeça, rigidez no pescoço, confusão mental, perda de equilíbrio e convulsões. A bactéria também pode causar aborto e natimorto em mulheres grávidas.

A equipe de Purdue, liderada por Arun Bhunia, descobriu que os probióticos sozinhos foram ineficazes no combate à Listeria, então eles utilizaram um ' truque' da própria bactéria para atacá-la. Adicionando a proteína de adesão da Listeria ao probiótico Lactobacillus paracasei, os pesquisadores foram capazes de diminuir o número de células de Listeria que passou através das células intestinais em 46%, uma diminuição significativa na quantidade de bactérias que podem infectar uma pessoa suscetível.

Com a proteína de adesão, Lactobacillus paracasei interage com a proteína de choque térmico na superfície das células intestinais, assim como Listeria faria. O probiótico, em seguida, é anexado às células intestinais, impedindo a Listeria de se ligar. "É como uma competição, Se a Listeria passa, ela não encontra nenhum lugar para se anexar ou invadir", explica Bhunia.

Os resultados vieram de ensaios realizados em células intestinais humanas. O próximo passo seria a realização de testes em animais, que permitiria aos pesquisadores ver se diferentes doses teriam um efeito maior.

Fonte: Isaude.net