Profissão Saúde
01.12.2011

Programa treina estudantes a partir do movimento dos olhos de cirurgiões

Pesquisa mostra que cirurgiões em formação aprendem melhor e lidam melhor com o stress imitando movimento dos olhos de cirurgiões

Foto: University of Exeter
Cirurgião trainee realiza operação simulada enquanto usa o dispositivo de rastreamento ocular
Cirurgião trainee realiza operação simulada enquanto usa o dispositivo de rastreamento ocular

Pesquisa realizada na University of Exeter, nos Estados Unidos, mostra que cirurgiões em formação aprendem habilidades técnicas cirúrgicas mais rapidamente e lidam melhor com o stress da sala de cirurgia, se forem ensinados a imitar os movimentos dos olhos dos especialistas.

O estudo, publicado na revista Surgical Endoscopy, tem potencial para transformar a maneira como cirurgiões são treinados para a realização de procedimentos cirúrgicos.

A equipe da University of Exeter identificou diferenças entre os movimentos dos olhos dos especialistas e dos cirurgiões inexperientes. Eles criaram um programa de treinamento do olhar, que ensinou aos estudantes os padrões de controle visual dos 'experts'. Isto permitiu-lhes aprender habilidades técnicas mais rapidamente do que seus colegas e executar estas habilidades em condições de distração semelhantes à sala de cirurgia.

Trinta estudantes de medicina foram divididos em três grupos, cada um deles dedicando-se a um tipo diferente de treinamento. Ao grupo de estudantes "olhar treinado" foi mostrado um vídeo, capturado por um rastreador ocular, mostrando o controle visual de um cirurgião experiente. As filmagens destacavam exatamente onde e quando o olhar do cirurgião se fixava durante uma tarefa de simulação cirúrgica. Os estudantes então conduziam a tarefa ele mesmos, usando o mesmo dispositivo de rastreamento ocular. Durante a tarefa, eles foram incentivados a adotar movimentos oculares iguais aos do cirurgião especialista.

Os alunos aprenderam que os cirurgiões sucesso 'travam' os seus olhos em um local crítico enquanto executam movimentos complexos usando instrumentos cirúrgicos. Isso faz com que eles acompanhem a ponta da ferramenta cirúrgica, ajudando-os a ser precisos e evitar a distração.

Depois de repetir a tarefa várias vezes, os movimentos oculares dos alunos logo imitaram os olhos de um cirurgião muito mais experiente. Os membros dos outros grupos, que foram ensinados a mover os instrumentos cirúrgicos ou foram deixados à própria sorte, não aprenderam tão rapidamente. O desempenho destes alunos quebrou quando foram colocados em condições que simulavam o ambiente da sala de operações e no qual eles precisavam atuar de forma multi-tarefa.

Samuel Vine, da University of Exeter, explicou que "Parece que ensinar aos novatos os movimentos dos olhos dos cirurgiões especialistas lhes permite atingir níveis elevados de controle motor muito mais rápido do que os novatos ensinados de uma forma tradicional. Isso destaca a importante ligação entre os olhos e as mãos no desempenho das habilidades motoras. Estes indivíduos também conseguiram atuar de forma multi-tarefa com sucesso, sem quebrar suas habilidades técnicas, algo que sabemos que os cirurgiões experientes conseguem fazer na sala de operações. Ensinar os movimentos dos olhos em vez das habilidades motoras pode ter reduzido a memória de trabalho necessária para realizar a tarefa. Este pode ser o motivo pelo qual eles conseguiram ser multi-tarefa, enquanto os outros grupos não o foram".

Samuel Vine e Mark Wilson da University of Exeter já trabalharam com atletas para ajudá-los a melhorar seu desempenho por meio do treinamento do olhar, mas este é o primeiro estudo a examinar os benefícios deste tipo do treinamento ocular para as habilidades cirúrgicas.

Vine acrescentou que "Os resultados de nossa pesquisa destacam o potencial para os educadores cirúrgicos 'acelerarem' a fase inicial de aprendizagem de competências técnicas, tornando os estagiários prontos para a sala de operações mais cedo e, portanto, permitindo-lhes ganhar mais experiência 'prática'. Isto é importante em um cenário de orçamentos públicos reduzidos e novas diretivas da União Europeia sobre o tempo de trabalho, o que significa que no Reino Unido temos menos dinheiro e menos tempo para fornecer treinamento cirúrgico especializado".

A equipe de pesquisa está analisando os movimentos oculares dos cirurgiões ao realizar operações da 'vida real' e está trabalhando para desenvolver um pacote de software de treinamento que automaticamente levará os estagiários a adotar os movimentos dos olhos dos cirurgiões.

O cirurgião John McGrath, disse que "A utilização de simuladores tem se tornado cada vez mais comum durante o treinamento cirúrgico para assegurar que os cirurgiões estagiários tenham chegado a um nível seguro de competência antes de realizar procedimentos em uma sala de operação da vida real. Até agora, há uma pesquisa bastante limitada para entender como estes simuladores podem ser utilizados até o seu potencial máximo.

Fonte: Isaude.net