Geral
16.11.2011

Consumo moderado de cerveja tem os mesmos benefícios do vinho para o coração

Pesquisa mostra que a máxima proteção é observada com a cerveja tendo 5% de álcool e o consumo de pouco mais de meio litro por dia

Foto: Oktober Fest / Marcelo Martins
O melhor benefício é obtido quando a cerveja contém 5% de teor alcoólico
O melhor benefício é obtido quando a cerveja contém 5% de teor alcoólico

A cerveja poderia ficar ao lado do vinho em relação aos efeitos positivos sobre a saúde cardiovascular. Esta é a conclusão de um estudo realizado pelos laboratórios de pesquisa na Fondazione di Ricerca e Cura "Giovanni Paolo II", em Campobasso, Itália. Tanto para o vinho quanto para a cerveja, o segredo é beber de maneira moderada e regular.

A pesquisa, usando a abordagem estatística de meta-análise, agrupou diferentes estudos científicos realizados em todo o mundo em anos anteriores para obter um resultado geral. Desta forma, foi possível examinar os dados relativos a mais de 200 mil pessoas, para as quais os hábitos de consumo de álcool estavam associados a doença cardiovascular.

Os resultados confirmam o que já era conhecido sobre o vinho: um consumo moderado (aproximadamente dois copos por dia para os homens e um para as mulheres) pode reduzir o risco de doença cardiovascular em até 31% quando comparado aos que não bebem. O que esta pesquisa acrescenta são novos dados sobre a cerveja. Pela primeira vez, de fato, as evidências sobre o efeito dose-dependente são mostradas para esta bebida. A máxima proteção é observada com a cerveja tendo 5% de álcool com um consumo de pouco mais de meio litro por dia.

"Em nossa pesquisa, consideramos o vinho e a cerveja separadamente: você primeiro observa uma redução do risco cardiovascular com níveis de bebida de baixo a moderado. Então, com um consumo crescente, você pode ver que a vantagem desaparece até que o risco fica maior. A parte interessante da nossa pesquisa é que, entre os estudos selecionados para esta meta-análise, houve 12 em que o consumo de vinho e cerveja pode ser comparado diretamente. Usando esses dados, pudemos observar que as curvas de risco para as duas bebidas estão intimamente sobrepostas", explica a primeira autora do artigo, Simona Costanzo.

"Os dados reportados em nossa meta-análise não podem ser extrapolados para toda a gente. Nas mulheres jovens ainda em idade fértil, por exemplo, o álcool pode aumentar ligeiramente o risco de alguns tipos de câncer. Isso pode contrabalançar o efeito positivo sobre doenças cardiovasculares e reduzir o benefício global das bebidas alcoólicas sobre a saúde", disse o chefe da Unidade Estatística de Laboratórios de Pesquisa, Augusto Di Castelnuovo, pioneiro nos estudos epidemiológicos do álcool.

Na similaridade entre o vinho e a cerveja em relação aos efeitos positivos sobre a saúde cardiovascular, há uma pergunta ainda sem resposta: " a evidência que estamos observando deriva de álcool por si só ou de outras substâncias contidas nas bebidas?" , questiona o pesquisador. O vinho e a cerveja são diferentes na composição, exceto pelo álcool, por isso pode-se pensar que o álcool seria a maior influência. Entretanto ambos contêm polifenóis, embora diferentes, e os pesquisadores da Fondazione "Giovanni Paolo II" sublinham que isto é algo para se olhar mais de perto no futuro.

Fonte: Isaude.net