Ciência e Tecnologia
01.11.2011

Resistência à insulina provoca disfunção erétil em pessoas obesas

Estudo desenvolvido na Unicamp mostra também que tratamento com metformina restaura a sensibilidade à insulina

Foto: Antoninho Perri/UNICAMP
Farmacêutico Fábio Henrique da Silva, responsável pela pesquisa
Farmacêutico Fábio Henrique da Silva, responsável pela pesquisa

Pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp mostra que a resistência à insulina associada à obesidade pode ocasionar a impotência sexual. O estudo conduzido pelo farmacêutico Fábio Henrique da Silva com camundongos obesos revelou ainda que o tratamento com a substância metformina restaura a sensibilidade à insulina nestes animais e, consequentemente, as alterações na função.

A obesidade, explica Silva, é considerada um importante fator de risco para o surgimento de resistência à insulina, aumento de colesterol, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e redução dos níveis testosterona (hipogonadismo). Todos esses fatores de risco podem atuar de maneira sinérgica nas alterações da função erétil. Neste sentido, a pesquisa de mestrado conduzida sob orientação do professor Edson Antunes investigou, justamente, o papel da resistência à insulina associada à obesidade na fisiopatologia da impotência sexual.

"É bom salientar que a obesidade, principalmente a abdominal, contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina, altamente prevalente em homens com disfunção erétil e fortemente associada a alterações na via intracelular de sinalização do óxido nítrico. Por isso, decidimos investigar as alterações fisiopatológicas no corpo dos camundongos" , ressalta Silva.

Em geral, a disfunção sexual de ordem física tem como causa a baixa produção do hormônio testosterona. Pode ocorrer também em função de doenças como diabetes e alcoolismo, além de ser provocada pela ingestão de determinados medicamentos. No caso da resistência à insulina associada à obesidade, fator até então desconhecido, a hipótese de Fábio Silva é que o quadro pode prejudicar a função erétil por reduzir a biodisponibilidade de óxido nítrico. Esse é o principal neurotransmissor de um sistema de sinalização intracelular, que atua promovendo relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso e, consequentemente, a ereção peniana.

" O mais incrível foi que o tratamento com o sensibilizador de insulina, metformina, restaurou a função nos camundongos. Como o peso deles se manteve o mesmo durante todo o estudo, podemos sugerir que a resistência à insulina é importante para o desenvolvimento da disfunção erétil, e não apenas o estado de obesidade sozinho" .

Para chegar aos resultados, num primeiro momento os camundongos foram tratados com dieta hiperlipídica por 10 semanas. Após esse período, os camundongos apresentaram aumento do peso corporal, dos níveis séricos de colesterol total e LDL, além do quadro de resistência à insulina. Os pesquisadores também avaliaram o relaxamento do tecido erétil in vitro e mediram a pressão intracavernosa durante a ereção dos camundongos in vivo.

Foi nesta etapa que os resultados revelaram a resistência à insulina associada à obesidade como causa das alterações na via óxido nítrico/GMPc, ocasionando a disfunção erétil. Na segunda etapa, os animais receberam tratamento com o sensibilizador de insulina, metformina, por 14 dias. " O tratamento com metformina reverteu o quadro. Daí as conclusões do estudo" , finalizou Silva.

Fonte: Isaude.net