Profissão Saúde
23.10.2011

Ferramenta ajuda detectar paciente violento em enfermarias médicas e cirúrgicas

Menos de 1% dos pacientes com pontuações iguais a zero tornaram-se violentos, em comparação com 8% com pontuações iguais a 1

Usar uma ferramenta de previsão de risco especialmente desenvolvida foi uma maneira eficiente de identificar pacientes hospitalares violentos em unidades médicas e cirúrgicas.

Pesquisadores americanos liderados pelo professor de enfermagem da Point Loma Nazarene University, Son Chae Kim, estudaram mais de 2 mil pacientes que deram entrada em hospitais de cuidados intensivos dos Estados Unidos durante um período de cinco meses.

"A violência por parte do paciente ocorre em todos os ambientes de cuidado de saúde e, embora várias ferramentas tenham sido desenvolvidas para o uso em unidades psiquiátricas, há uma falta de ferramentas de exame breves para os ambientes médicos e cirúrgicos. Por isso, desenvolvemos a ferramenta de dez pontos de avaliação de risco de comportamento agressivo (ABRAT), que foi finalizada dentro de 24 horas da admissão e parece ser um instrumento promissor para prever quais pacientes se tornarão violentos durante o tempo que permanecerem no hospital. Por exemplo, menos de 1% dos pacientes com pontuação ABRAT zero tornam-se violentos, em comparação com 41% daqueles com uma pontuação de 2 ou mais pontos. Dois enfermeiros completaram uma pontuação ABRAT para cada paciente, concordando em 93% e 96,5% dos casos nas pontuações ABRAT com pontuações 1 ou 2, respectivamente", disse Kim.

As descobertas essenciais do estudo incluem:

Entre os 2063 pacientes, 56 estavam envolvidos em um incidente violento ou mais. Estes números incluíam 35 episódios de agressões verbais, 26 ataques físicos, 15 ameaças de ataques físicos, 12 incidentes em que uma chamada de emergência foi feita para o pessoal da segurança e 3 casos de assédio sexual.

Menos de 1% dos pacientes com pontuações ABRAT iguais a zero tornaram-se violentos, em comparação com 8% com pontuações iguais a 1 e 41% dos pacientes com pontuações de 2 ou mais.

Metade dos incidentes violentos envolveram pacientes com idades acima dos 70 anos, apesar do fato de que eles somavam apenas 40% dos pacientes estudados. Os homens, que constituíam 48% dos pacientes estudados, eram quase duas vezes mais propensos a tornarem-se violentos do que as mulheres (64% versus 34%).

Os cinco sintomas preditores de violência mais comuns eram: confusão/dano cognitivo, ansiedade, agitação, gritar/fazer exigências e um histórico de agressão física.

O ABRAT incluiu vários itens da ferramenta M55, usada anteriormente nos cuidados intensivos gerais. Também recorreu ao conceito STAMP, que inclui o olhar fixo e o contato visual, o tom e o volume da voz, a ansiedade, murmurar e andar rapidamente.

As enfermeiras que se submeteram ao treinamento no uso da ferramenta coletaram as informações dos pacientes admitidos em seis unidades médico-cirúrgicas diferentes.

"Os resultados deste estudo indicam que o ABRAT de dez itens poderia ser útil para identificar pacientes possivelmente violentos em unidades médico-cirúrgicas com precisão aceitável e consentimento entre os usuários. Mais estudos são necessários para ver se o uso do ABRAT pode realmente reduzir a violência nos ambientes clínicos", disse Kim.

Fonte: Isaude.net