Geral
26.08.2009

Técnica faz cortes a laser em cirurgias refrativas

Método torna operações da visão mais seguras e reduz tempo de recuperação. Procedimento pode ser usado ainda em transplante e em implante de anel em pessoas com ceratocone, um problema na córnea

Foto: Divulgação / Today.Uk
Paciente é preparada para cirurgia oftalmológica
Paciente é preparada para cirurgia oftalmológica

Centros médicos brasileiros começam a oferecer uma nova tecnologia que torna mais segura as cirurgias oftalmológicas como a refrativa, para a correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia. Trata-se de um aparelho que permite fazer cortes a laser - o que torna essa cirurgia um procedimento totalmente a laser, do início ao fim.

Normalmente, os cortes são feitos mecanicamente, com um aparelho chamado microcerátomo. Com a nova tecnologia, o laser transforma uma camada de tecido corneano em vapor d'água, o que permite levantar uma lâmina da córnea para depois fazer a correção do grau.

Chamado Intralase, o método pode ser usado ainda em transplantes de córnea e no implante de anéis intracorneanos em quem tem ceratocone, problema nessa parte do olho.

"O corte é perfeito e a precisão, muito maior. Antes, dependíamos muito da habilidade do cirurgião", diz Leon Grupenmacher, coordenador de implantes corneanos do Hospital Oftalmológico de Sorocaba, a primeira instituição a usar a técnica na América Latina, em setembro de 2006.

Com o Intralase, o corte fica mais fino e com a espessura uniforme. Assim, mais pessoas passam a ser candidatas à cirurgia refrativa -com o método tradicional, se a espessura da córnea do paciente for muito fina e dependendo do grau a ser corrigido, ele não tem indicação de operar, por causa da espessura do corte.

A chance de erro também diminui, o que é significativo, pois grande parte das complicações nas cirurgias refrativas decorre do corte. De acordo com Grupenmacher, por causa desses erros, o paciente pode ter deformidades na córnea e voltar a usar lentes de contato, já que o grau pode até piorar.

"A chance de complicações [com o método convencional] é muito pequena, mas, como é feita uma quantidade enorme de cirurgias refrativas no país, é fundamental termos mais segurança", afirma.

No caso do transplante de córnea, o número de pontos cai, com o novo método, de 24 a 32 para 8 a 12. A recuperação, que normalmente pode chegar a um ano e meio, passa a ser de seis meses. Para quem recebe o anel intracorneano, a redução é de 90 para 30 dias.

Segundo Mauro Campos, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o novo método a variabilidade no corte foi reduzida de 30% para menos de 1%. A Cerpo, clínica da qual é sócio-diretor, foi a segunda do país a oferecer o Intralase, instalado no fim do ano passado.

Ele diz que isso é especialmente importante no caso de pacientes de maior risco, para os quais é necessário que o corte tenha um profundidade exata. "Você não consegue isso com o aparelho manual. E, mesmo no caso daqueles pacientes que não têm tanta restrição, se o corte for muito profundo pode produzir um enfraquecimento da córnea. Com o laser a chance é menor."

Um levantamento finalizado recentemente pela Cerpo mostra, ainda, que o aparelho é mais fácil de usar, o que reduz as chances de complicação nas primeiras cirurgias feitas pelo médico. No caso do aparelho manual, dos 400 primeiros casos operados, 20 tiveram algum problema. Com o laser, houve apenas um problema com os primeiros 400 pacientes.

No caso do implante de anel, dos cem primeiros casos, houve complicações em 2% -com a técnica manual, o índice é de 14,5%. "A adaptação do médico à nova técnica é quase imediata", diz Campos.

Ele ressalta, porém, que isso não quer dizer que a técnica convencional seja ruim. "Ainda é a que predomina no mundo todo. Temos milhares de pessoas operadas com resultados excelentes. Mas a substituição pelo laser é questão de tempo" .

Fonte: UNICAMP