Ciência e Tecnologia
28.07.2011

Novos materiais para implantes promovem resposta inflamatória controlada

A modificação dos materiais implantáveis estimula a ativação das células "natural killers" e a reação do sistema imunológico

Uma equipe portuguesa do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) publicou um artigo no qual descreve a modificação de materiais para implantes que promovem uma ativação eficaz das células NK (Natural Killers). Estas células conduzem a uma resposta inflamatória controlada, indispensável à regeneração dos tecidos, neste caso o osso.

O grupo de pesquisadores dedica-se à regeneração de tecidos. O trabalho publicado descreve como se podem tirar vantagens da resposta inflamatória do organismo para a reparação do osso.

Segundo Catarina Almeida, primeira autora da publicação, " após a implantação de um material no organismo ocorre uma resposta inflamatória" . Esta é crucial para uma reparação eficaz do tecido, contudo, " se não for controlada, poderá levar à rejeição do material implantado" . Por esse motivo, atingir o equilíbrio certo na resposta inflamatória é a chave do sucesso para que um material possa ser utilizado com eficácia na prática médica. Catarina Almeida é Imunologista e está desde 2008 no Instituto de Engenharia Biomédica tentando entender qual o papel da resposta inflamatória na regeneração de tecidos, para desenvolver biomateriais para implantação mais eficientes.

As células NK (Natural Killers) são umas das primeiras do sistema imunológico a se dirigirem para um material colocado dentro do organismo. Estas, além da sua função normal de defesa, emitem informação para o meio circundante de forma a recrutarem células-tronco dos tecidos adjacentes e iniciar o processo de regeneração. A equipe do INEB, liderada por Mário Barbosa, modificou materiais de forma a controlar o comportamento desta população específica de células de defesa. Os autores mostraram que as NK desempenham um papel importante porque conduzem a um recrutamento maior de células-tronco mesenquimatosas, que são essenciais para a regeneração do osso devido à sua capacidade de diferenciação em células ósseas e cartilagem.

Os testes foram realizados in vitro e mostraram que algumas alterações na superfície dos materiais garantiam que as NK aderissem bem a ele sem acionar os sinais que levam a respostas inflamatórias mais agressivas. O trabalho está sendo desenvolvido pelo INEB com subsídios do projeto " Inflammation is cool" , liderado por Mário Barbosa e que conta com o financiamento da FCT.

Fonte: Isaude.net