Geral
24.08.2009

Urologistas pedem mais atenção à saúde do homem

Comissão de Seguridade promoveu debate sobre políticas públicas relacionadas à saúde do homem

Foto: Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados
Ricardo Cavalcanti, Jurandi Costa, José Carlos de Almeida, Ubirajara Ferreira, Aguinaldo Nardi no IV Fórum Políticas Públicas e Saúde do Homem
Ricardo Cavalcanti, Jurandi Costa, José Carlos de Almeida, Ubirajara Ferreira, Aguinaldo Nardi no IV Fórum Políticas Públicas e Saúde do Homem

Médicos urologistas defenderam, na Câmara, a necessidade de aumentar a atenção à Saúde do homem no País. Os participantes do 5º Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem, promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família, reconheceram que historicamente o homem vai menos ao médico que a mulher, seja por medo ou preconceito.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), José Carlos de Almeida, é preciso acabar com o preconceito por meio de campanhas de esclarecimento e abrir espaço para o homem no sistema de Saúde, de forma que ele se sinta seguro ao ser atendido. Almeida disse que cabe ao governo abrir esse espaço, mas reconhece que o Ministério da Saúde tem tratado o assunto com boa vontade.

O governo federal vai lançar ainda neste mês a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. "A mensagem que queremos levar com essa política é que os homens brasileiros necessitam se cuidar mais. São os homens que têm menor contato com as políticas de Saúde. Esse contato só aumenta a partir dos 60 anos de idade. Morremos mais cedo que as mulheres, mas antes damos muito trabalho para elas", afirmou o diretor de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde, José Luiz Telles, que representou o ministro José Gomes Temporão no fórum.

Prevenção a doenças

No evento, José Carlos de Almeida lembrou que problemas graves de Saúde podem ser evitados com atitudes simples. É o caso do câncer de pênis, cuja prevenção está em lavar o pênis com água e sabão. "A higienização pode exterminar o câncer de pênis no Brasil. Atualmente, mais de mil homens têm o pênis amputado no País em decorrência de uma doença evitável que se cura com higiene e educação", disse o presidente da SBU.

Em relação ao câncer de próstata, os urologistas afirmaram que é uma doença com duas realidades: a do diagnóstico precoce e a do tardio. As chances de cura são de 90% se o tumor for detectado precocemente. Por esse motivo, o homem deve procurar o urologista periodicamente a partir dos 45 anos de idade ou dos 40, se houver caso de câncer de próstata na família.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são 46 mil novos casos por ano da doença, que mata 8 mil homens anualmente.

Campanhas

A presidente da Comissão de Seguridade, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), sugeriu que o Ministério da Saúde faça uma grande campanha de conscientização dos problemas que afetam a população masculina. "A gente vê muita campanha direcionada à mulher, para o homem não. Temos que mudar essa mentalidade, essa vergonha que não faz sentido. Prevenção é tudo, e a sociedade como um todo tem responsabilidade nesse enfrentamento", reclamou.

O urologista Sidney Glina disse que pelo menos a SBU tem feito sua parte e realiza, por exemplo, campanhas em estádios de futebol. Em 2006, a sociedade distribuiu panfletos de esclarecimento sobre o câncer de próstata durante os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol. O garoto-propaganda da campanha foi o ex-jogador Sócrates.

O médico lembrou também que, em 2007, a SBU promoveu um mutirão no Maranhão para detectar casos de câncer de pênis. Ele ressaltou a necessidade de capacitar agentes de Saúde para identificar a doença e encaminhar pacientes ao urologista.

Por outro lado, o médico sugeriu a inclusão de mais urologistas no quadro do Sistema Único de Saúde (SUS). A urologia, explicou, é uma porta de entrada no SUS e o paciente pode passar a frequentar médicos de outras áreas, como cardiologistas.

Emenda 29

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que solicitou o fórum, pediu aos médicos urologistas que se engajem na luta pela regulamentação da Emenda 29. "Ela reforçará o orçamento anêmico [da Saúde] de 2010, porque neste ano o orçamento está com sinal vermelho", afirmou.

Fonte: AGÊNCIA CÂMARA