Geral
01.07.2011

Uso de adoçantes é quase quatro vezes maior entre idosos do que entre jovens

Prevalência na população em geral foi de 19%. Entre as mulheres, frequência superou os 22% e está relacionada com perda de peso

Com a intenção de avaliar como tem sido o uso de adoçantes na população, pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, consultaram 2.732 com idade igual ou superior a 20 anos residentes na área urbana do município de Pelotas. A prevalência do uso desses produtos foi de 19%, sendo 3,7 vezes maior entre idosos do que entre aqueles com 20 a 29 anos. A prevalência do uso de adoçante dietético foi mais frequente em mulheres (22,7%). De acordo com os estudiosos, essa prática feminina pode estar relacionada à redução de peso. " As mulheres estão cada vez mais pressionadas a fazer dieta e acabam por submeterem-se a restrições alimentares rígidas, a fim de atingir um padrão estético socialmente imposto" , dizem os pesquisadores.

Outro fator que se mostrou significativo foi a escolaridade: verificou-se consumo aproximadamente 30% mais elevado entre indivíduos com 12 anos ou mais de estudo. " Tal relação pode ser explicada pela maior conscientização que esses indivíduos têm sobre a importância da manutenção da boa saúde, tendo em vista que alimentos diet e light, assim como adoçantes dietéticos, são vistos por algumas pessoas como produtos saudáveis. De forma geral, o comportamento alimentar desses indivíduos em relação ao consumo desse tipo de produto pode ser explicado pela preocupação com a forma física ou estética, mais frequente em níveis sociais mais elevados" , explicam os pesquisadores.

Os dados apontaram que, no que se refere a condições de saúde, cerca de 10% dos indivíduos entrevistados relataram ser diabéticos e 36,7%, hipertensos. Portadores de ambas as doenças apresentaram prevalências de utilização de adoçante aproximadamente 3,5 e 2 vezes maior, respectivamente, do que aqueles sem essas enfermidades. Além disso, pouco mais de 64% afirmaram estar com excesso de peso. Sobre o uso de adoçantes, 72,7% informou que o consumo é diário. " Quando questionados sobre quem recomendou a utilização de adoçante dietético, 54,3% dos usuários referiram não ter recebido recomendação de ninguém. Entre aqueles que a receberam, o médico foi o mais citado (76,4%)" , destacam os pesquisadores.

A pesquisa ainda indicou que 98% dos usuários relataram utilizar adoçante na forma líquida, sendo os mais consumidos (90%) os compostos por edulcorantes artificiais - sacarina sódica e ciclamato de sódio. No que se refere à quantidade consumida em apenas uma porção, a média foram seis gotas; para usuários em pó, um sachê e meio. " Os motivos para a utilização desses produtos na forma líquida podem estar relacionados com a praticidade e facilidade de uso proporcionada" , elucidam os pesquisadores. " Quanto à sua composição, a sacarina sódica e ciclamato de sódio possivelmente foram escolhidos por serem os edulcorantes mais antigos, apresentarem menor custo e serem os mais divulgados pela mídia" .

Denominados como alimentos para fins especiais pelo Ministério da Saúde, os adoçantes dietéticos foram criados com o objetivo de atender às necessidades de pessoas com condições metabólicas e fisiológicas específicas, como os obesos ou os diabéticos. No entanto, nas últimas duas décadas, esses produtos se tornaram disponíveis para qualquer consumidor que quisesse desfrutar um sabor doce sem elevar o consumo energético.

Fonte: Isaude.net