Ciência e Tecnologia
24.06.2011

Amadurecimento cervical difere em nascimentos normais e prematuros

A remodelação cervical não é necessariamente uma aceleração do processo fisiológico do trabalho de parto de prazo normal

Foto: UT Southwestern Medical Center
Da esquerda para a direita, Mala Mahendroo, Brenda Timmons e Roxane Holt pesquisadoras envolvidas no estudo
Da esquerda para a direita, Mala Mahendroo, Brenda Timmons e Roxane Holt pesquisadoras envolvidas no estudo

O amadurecimento cervical que provoca o trabalho de parto prematuro é diferente em relação ao que ocorre no parto em tempo normal. A descoberta, feita por pesquisadores, da University of Texas Southwestern, desafia a premissa convencional de que o amadurecimento cervical prematuro e a remodelação sejam apenas uma versão acelerada do processo normal e que o amadurecimento de prazo normal é causado principalmente pela ativação de respostas inflamatórias.

"A remodelação prematura do colo do útero pode ocorrer por mais de um mecanismo e não é necessariamente uma aceleração do processo fisiológico do trabalho de parto de prazo normal. Dependendo da causa do nascimento prematuro, esse mecanismo pode variar ", diz a professora ginecologia e obstetrícia, Mala Mahendroo.

Estudos anteriores sugerem que, no trabalho de parto (prematuro ou não), as células brancas do sangue fluem para o colo do útero liberando enzimas que quebram o tecido de suporte e remodelam esta estrutura, permitindo que o bebê passe pelo canal do parto. Isso está certo apenas em parte, segundo os pesquisadores. "O sistema imunológico é suficiente para causar o amadurecimento cervical, mas não é absolutamente necessário para que isso aconteça", diz a pesquisadora Brenda Timmons.

Quase 13% de todos os nascimentos nos EUA são prematuros. Bebês nesta condição podem sofrer estresse respiratório, hemorragia intraventricular e até mesmo paralisia cerebral. Os fatores de risco identificados para o nascimento prematuro incluem tabagismo, consumo de álcool, idade materna avançada, genética, insuficiência cervical, parto prematuro anterior e infecção.

"Em cerca de metade dos nascimentos prematuros, a causa é desconhecida. É fundamental determinar as múltiplas causas de parto prematuro para que terapias eficazes possam ser desenvolvidas para cada tipo. Quando os pacientes apresentam-se em trabalho de parto prematuro, não temos muitas terapias para pará-lo", explica a especialista em medicina materno-fetal Roxane Holt.

Os pesquisadores compararam modelos de parto prematuro em ratos. Eles injetaram lipopolissacarídeos (LPS) para promover condições semelhantes as de uma infecção e uma resposta inflamatória em um modelo. No outro, eles administraram mifepristone (RU486) para simular a retirada da progesterona, hormônio que apoia a gestação e aparece normalmente no final da gravidez.

Os pesquisadores relatam que as mudanças cervicais em condições de inflamação induzida são causadas por um fluxo de células brancas do sangue e por um aumento na expressão de marcadores pró-inflamatórios, sem que haja o aumento na expressão de genes induzidos no amadurecimento que ocorre dentro do prazo normal. O amadurecimento prematuro induzido pela retirada da progesterona vem da ativação combinada de processos que ocorrem durante o amadurecimento de prazo normal e logo após o parto.

"Essas descobertas, se traduzíveis para os seres humanos, sugerem que um tratamento não pode ser eficaz para todos os tipos de nascimento prematuro e que a identificação precoce da causa da prematuridade é necessária para determinar o tratamento correto", diz Mahendroo.

Fonte: Isaude.net