Ciência e Tecnologia
26.04.2011

Cientistas identificam mecanismo de resistência e sobrevivência das bactérias

Estudo revela que bactérias evitam tratamentos se desligando e se escondendo até que seja seguro aparecer novamente

Foto: Texas AM University
Thomas Wood e Xiaoxue Wangem, pesquisadores envolvidos na pesquisa
Thomas Wood e Xiaoxue Wangem, pesquisadores envolvidos na pesquisa

Bactérias evitam tratamentos com antibióticos se desligando e se escondendo até que seja seguro ' aparecer' novamente. A descoberta é de pesquisadores do Texas A & M University, nos Estados Unidos.

Resultados de estudo ajudam a entender mecanismo de sobrevivência e de resistência das bactérias aos medicamentos.

" As bactérias vão 'dormir' para que os antibióticos só funcionem em bactérias que são metabolicamente ativas", explica Thomas Wood. "Você precisa de bactérias ativas para serem suscetíveis a antibióticos. Se a bactéria ' dorme' , o antibiótico, não importa o que façam, não são eficazes porque a bactéria não está mais fazendo aquilo que o antibiótico está tentando combater."

É um método alternativo para a sobrevivência, segundo Wood, que contrasta fortemente com as abordagens amplamente estudadas de base genética utilizadas por bactérias através do qual elas ganham resistência aos antibióticos através de mutações experimentadas ao longo do tempo. Esta resposta livre de mutação, no entanto, demonstra que algumas bactérias não precisam se transformar para sobreviver a estressores externos.

Em vez disso, quando provocada por um estressor externo, como um antibiótico, uma célula bacteriana pode tornar-se inativa desencadeando uma reação interna que degrada a eficácia de suas próprias antitoxinas internas. Com a sua antitoxina danificada, as toxinas presentes no interior da célula bacteriana não são detectadas e danificam os processos metabólicos da célula, para que ela seja então desligada.

É prejuízo auto-infligido, mas com um propósito.

Wood e seus colegas descobriram que quando se deparam com o estresse oxidativo, as células bacterianas iniciam um processo através do qual uma antitoxina chamada MQSA é degradada, por sua vez, permitindo que a toxina MqsR degrade todos os RNA mensageiros das células.

Este RNA mensageiro desempenha um papel crítico no processo de fabricação de proteínas pela célula, então, sem esse RNA a célula não pode produzir proteínas.

Com a produção de proteínas desligadas, a célula bacteriana entra em estado dormente e o antibiótico não pode fazer efeito no interior da célula. Quando o estressor é removido, as células bacterianas eventualmente voltam a trabalhar e retomam suas atividades normais.

Este mecanismo de resposta, Wood destaca, não substitui as abordagens baseadas na mutação que há anos caracteriza o comportamento das células, é apenas um outro método em uma abordagem multifacetada realizada pelas bactérias para garantir a sobrevivência.

"Se conseguirmos determinar que este mecanismo de "ir dormir" é o principal utilizado pelas bactérias, então podemos começar a descobrir como "despertá-las" para que elas sejam mais suscetíveis ao antibiótico. Idealmente, isso incluiria aplicar simultaneamente ao antibiótico um produto químico que acorda as bactérias. Essa é a meta - um antibiótico mais eficaz", afirmou Wood.

Fonte: Isaude.net