Ciência e Tecnologia
01.04.2011

Mecanismo molecular da mosca de fruta ajuda a regular apetite em humanos

Cientistas podem reduzir a propensão de indivíduos obesos a comerem em excesso quando se deparam com odores de alimentos

Biólogos da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, identificaram mecanismos moleculares desencadeados pela fome em moscas de frutas. A descoberta mostra como a fome desencadeia melhoria na resposta do sistema nervoso ao cheiro, permitindo a esses insetos - assim como aos humanos - se tornarem ' caçadores' mais eficientes quando estão com fome.

Pesquisadores esperam que a descoberta possa fornecer uma nova forma de potencialmente regular o apetite em seres humanos. Cientistas podem ser capazes de diminuir a propensão dos indivíduos obesos a comer em excesso quando se deparam com os odores dos alimentos.

O estudo

A equipe de pesquisa, liderada por Jing Wang identificou um neuropeptídeo e um neurônio receptor que controla o comportamento olfativo da mosca que poderiam ser alvo de drogas para efetuar mudanças no apetite, normalmente regulado pelos níveis de insulina no organismo.

"Nossos estudos na Drosophila abordam uma questão importante - como a fome modula o processamento olfativo", observou Wang. "Ficamos surpresos ao descobrir que a modulação do cheiro pela fome acontece na periferia, porque a maior parte da literatura sobre a regulamentação da alimentação é sobre a função do hipotálamo. Há indícios que sugerem que este tipo de modulação no sistema periférico olfativo está presente nos sistemas de vertebrados também."

Enquanto os cientistas tinham identificado previamente neuropeptídeos semelhantes que controlam o comportamento alimentar de vertebrados, não era muito conhecido até agora como essas moléculas controlam o olfato ou o comportamento de um organismo.

Wang e sua equipe acreditavam que, ao olhar para os mecanismos moleculares que permitem que as moscas de fruta melhorem sua busca por alimento quando os níveis de insulina estão baixos, após um período de jejum, eles obteriam uma melhor compreensão deste processo.

Eles utilizaram um sistema computadorizado para monitorar ao longo do tempo a posição de moscas com fome ou bem alimentadas ao redor de uma gota de vinagre de cidra da maçã, que serviu como fonte de alimento.

Resultados mostraram que durante o período de observação de 10 minutos, as moscas com fome passaram a maior parte do tempo andando perto da fonte de alimento, enquanto moscas alimentadas vagueavam em toda a área com uma preferência pelo perímetro.

Os pesquisadores descobriram que a remoção cirúrgica das antenas utilizadas pelas moscas para sentir o odor destruiu a propensão das moscas com fome de voarem ao redor da fonte de alimento, assim como a supressão genética da produção de receptores de neuropeptídeos F, que os cientistas descobriram que aumenta em resposta a fome ou à queda nos níveis de insulina.

Usando dois fótons de microscopia, os pesquisadores encontraram alterações na resposta olfativa em neurônios específicos dependentes da fome.

"A noção de que a modulação da fome no sistema periférico olfativo está ligada à sinalização da insulina tem implicações potenciais para a intervenção terapêutica na epidemia de obesidade em uma grande porcentagem da população", disse Wang.

Os pesquisadores identificaram o receptor de insulina, PI3K, e o receptor de neuropeptídeo curto F, que também é modulado por níveis de insulina, como potenciais alvos moleculares para o controle do apetite em seres humanos e outros vertebrados.

No entanto, os pesquisadores afirmam que mais pesquisas são necessárias para saber se e em que medida os níveis de insulina controlam a sensibilidade olfativa humana.

Fonte: Isaude.net